Ben Edlund já trouxe os mais incomuns monstros-da-semana a Supernatural, dos rugarus canibais aos elementais brincalhões a universos alternativos, cheios de autorreferências.


Nesta semana, o episódio entitulado “Everybody Hates Hitler” traz um Golem ao universo de Supernatural pela primeira vez. Durante uma conferência em vídeo, Edlund falou aos jornalistas sobre a origem desse episódio e o que vem aí para Sam e Dean após as inesperadas revelações familiares que pipocaram no episódio da semana passada.

A origem de “Everybody Hates Hitler”.  De acordo com Edlund, a ideia desse episódio apareceu enquanto pensava na Sociedade Thule (eles vão pronunciar ‘Thul’, em vez de ‘Thule’, porque consideram que ‘Thul’ tem um som mais “ameaçador”). Precisávamos de uma força contrária ao Judah Initiative e a Thule é historicamente perfeita porque existiu de verdade… Eles fundaram os primeiros passos do partido nazista e tiveram interações estranhas com um Hitler em início de carreira. Encaixou perfeitamente. A Sociedade Thule foi colocada na jogada por Andrew Dabb, que me lembrou que eles existiram. A isso se seguiu… necromancia pareceu o braço correto da magia a ser explorado.” Como foi a reunião na sala dos roteiristas?  “Foi ótima. Todos esperando as palavras ‘nazista’ e ‘necromante’ serem colocadas na mesma frase.”

O grande plano da Thule. “Necromancia, em regra, é a forma mais terrível de magia que se pode usar, normalmente,” explicou Edlund. “Nesse caso, é algo com que a Thule trabalha para usar a morte para seus próprios propósitos. É uma ferramenta para adquirir poder como qualquer outra.  Nessa siatuçaõ, ela permite criar uma nova espécie de criatura morta-viva, que é basicamente um Thule necromante.  Nos dá uma…. uma nova espécie de criatura desgraçada que ocorre de ser um nazista. Aí você pode chutar a cara deles com gosto. Sam e Dean aprendem a lidar com essas criaturas ao longo do episódio.”

O humor típico de Edlund. Vários episódios de Edlund têm sido os mais clássicos em termos de comédia em Supernatural (“Hollywood Babylon”, “Bad Day at Black Rock” e “Clap Your Hands if You Believe”, dentre outros), mais ultimamente seus roteiros têm lidado com aspectos mais dramáticos do show (“Blood Brother”, “Repo Man” e “The Man Who Would be King”).  Edlund diz que “Everybody Hates Hitler” tem mais graça do que eu tenho feito nos mais recentes episódios. Mesmo que trate de um material bem sombrio, nele há um time de comédia formado por um Golem gigante com senso de propósito à moda antiga e um judeu jovem, não ortodoxo… ele deveria ser um rabino pelas regras de um Golem despertado, mas está longe disso.  Ele se presta ao meu tipo favorito de roteiro. E Sam e Dean lidando com esse novo tipo de time de comédia, tornam-se eles mesmos comediantes. Mesmo ao explorar o bunker dos Homens das Letras, há momentos de comédia. Acho que esse tem mais potencial cômico que os últimos que tenho feito. O Golem é tão fisicamente presente, o cara que o interpreta, John DeSantis, é incrível.  Ele tem 2,10m.  Normalmente, quando escrevo para Sam e Dean e digo “essa pessoa faz sombra em Sam e Dean” estou ferrado já de começo, porque Jared tem 1,95m e Jensen é bem alto. Tentar fazer com quem alguém seja mais alto é quase uma impossibilidade.  Mas esse cara (DeSantis) foi incrível.  A voz dele é como um sino de igreja rolando morro abaixo. Ele impõe a presença necessária que está escrita no roteiro.”

O novo set dos Homens das Letras. O produtor executivo Bob Singer falou do set e Edlund não só ecoou sua opinião de que “é lindo”, como contou umas coisinhas sobre como ele o havia visualizado. “Quando Adam Glass trouxe os Homens das Letras para o episódio, deu a oportunidade de dar aos Winchester um espaço rico em que pudessem ficar e Jerry Wanek fez um trabalho maravilhoso tornando-o real.”  Mas de início foi um desafio grande, porque quando Edlund pensou em como fazê-lo, disse que a descrição ficou “pomposa demais, porque eu estava tão excitado que tive que me segurar. Começou improduzível e aí eu baixei a bola. Em certo ponto, seria construído como ‘um eco do Axis Mundi’ e era mesmo um universo subterrâneo com escadas em espiral. Mas está lindo. Eu fiz algo impossível e Jerry fez algo incrível.”  E quanto à reação de Sam e Dean… podemos ver pelo sneak peek que Dean parece pensar que o lugar é bem maneiro, mas Sam é quem vê vibrar seu lado geek. Edlund brincou que Sam fica “de olhos esbugalhados e voraz como ficava em Stanford.”

Tropeçando no caso. A forma como Sam e Dean encontram esse caso particular em Supernatural surge do set dos Homens das Letras e entra na visão de como será para eles esse armazém de informações. “A forma como chegam no caso é… Sam fica muito animado com o local e está extasiado com essa fonte de informação na biblioteca e tudo o que vem de herança com o QG dos Homens das Letras. Dean fica um pouquinho menos, tipo, realizado com o fato e meio que aponta que toda a informação termina em 1958.  Então como isso tudo pode se relacionar com o presente é meio que um mistério pra ele, em certo sentido, mas o caso surge do que eles aprendem enquanto leem os arquivos e Sam, ligando os pontos para descobrir ‘o que pode ser relevante hoje?’, pega a dica que os leva a um caso que que eles de outra forma não teriam pego. Em última instância, o enredo surge de sua herança dos Homens das Letras e suas informações.”

O arco das tábuas. Edlund admite que “nesse episódio, as tábuas não são parte central” e que esse é “uma pausa no panorama geral que é sua busca”. No entanto, Sam está convencido – e os roteiristas parecem estar indo nessa direção – que o bunker dos Homens das Letras será importante para o arco mitológico. “Sam está certo de que vão sair boas coisas dali, que irão ter relação com a busca da temporada. Ele entra de cabeça na biblioteca e no banco de dados desse lugar. Ele representa, para ele, uma fonte que ele quer conhecer a fundo porque está convencido de que vai trazer pistas e informações. Na história dos Winchester, eles tiveram o mito das sociedades secretas, mas quase nenhum contato com elas. Nós nunca ligamos muito pra elas e elas são na verdade um corredor de estudos do oculto.” Mas Sam acha que eles encontraram um paraíso que vai “ser algo que vai nos dar ferramentas para lutar contra os inimigos que estamos enfrentando nessa temporada. Não afeta diretamente o enredo das tábuas, mas vai crescer na história deles ao longo do tempo.”

(Tradução na íntegra)