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“O que aconteceu com as garotas gostosas?” – Dean Winchester, atento ao fato de que, na hora de fazer um pacto, aparece na encruzilhada (a do Harlem Shake!) um demônio evidentemente do sexo masculino.

Tive a sorte de pegar um episódio que adorei para fazer a minha primeira análise hunter na casa nova. Bom, são poucos os que eu não adoro.

O poder de síntese foi o ponto forte do episódio. Dean resumiu para Kevin em duas frases o que é vida dele e de lambuja entregou que parece bem conformado com isso, se já não tiver voltado a sentir que parte da graça está exatamente na carga extra que caçadores escolhidos no fogo cruzado entre o Bem e o Mal têm que carregar.

Crowley também fez o categórico e mandou frases poderosas para todos (com a ajuda do talento indiscutível de Mark Sheppard): da funcionária temporária, passando por Ajay, Kevin e os próprios Winchester. Até Naomi teve falas brilhantes e suas atitudes surpreenderam. Ou seja, a tal campanha imbecil que alguns fansites americanos propuseram de boicotar o episódio dessa semana, por ter sido escrito por Eugenie Ross-Leming e Brad Buckner, a quem esses indivíduos chamam de “a dupla mais fraca de autores da série” pode até ter gerado números menores de audiência – infelizmente –, mas só quem perdeu de verdade foram os tapados que deliberadamente decidiram não assistir “Taxi Driver”.

O dono do texto mais perfeito para mim foi Benny. Todas as suas falas tiveram o peso de quem veio pra se despedir (será?). Eu confesso que chorei em mais de um momento com a participação dele ontem. Ty Olsson sempre diz a que veio, é sempre um ator impecável. E a cena com Jensen foi sensacional, briga de cachorro grande! Imagine um cara indo pedir para um grande amigo que se sacrifique para salvar seu irmão! Benny tem razão: quando Dean Winchester pede um favor, é pra valer! Voltando ou não, Benny entra pra história como o vampiro que eu gostaria de abraçar e cobrir de beijos. Mais um herói para a série.

E lá se vai Sam rumo ao inferno para salvar nada mais, nada menos que… BOBBY! Que saudade do tiozinho sem vaidade!! Adorei o soco sem nem piscar que ele deu no Sam, com a explicação de que “é assim que eles me atingem, com infindáveis Sams e Deans que acabam mostrando olhos pretos”. Eu adorei esse segundo teste. Verdade seja dita, a gente só não diz “agora ta na cara que Bobby volta em algum momento” porque a imensa maioria ta adorando o fato, inclusive a crítica especializada americana.

Culpo o tempo de episódio pela falta de uma referência à estadia de Sam no inferno, algo que surtisse o mínimo de deja vu, o que teria sido um presente para Jared. Ou posso culpar a barreira na mente de Sam? Ou ainda a falta dela? Ou a troca que Cas fez com ele em “The Born-Again Identity”? Por mais que me agradasse um longa metragem toda quarta-feira, um episódio de Supernatural tem apenas 41 minutos.

O reencontro de Sam e Bobby foi muito bonito, mas os momentos cômicos marcaram mais, como na hora em que surge um clone de Sam e Bobby “chuta” qual deles matar. 50 a 50, sem dúvida. E a série se chama “Sobrenatural” afinal de contas, e se eles quiserem, podem numa boa dizer que se Crowley mandar, uma alma desce em vez de subir para a “cobertura”. Por mim tudo bem, se for para dessa premissa sair um episódio como o que vimos ontem.

Kevin… Ah, Kevin. Só eu acho esse mocinho a coisa mais fofa que já apareceu em Supernatural? Até tentaram arrepiar os cabelos dele e transformá-lo num quase caçador esperto e descolado no começo da temporada, mas o nerdzinho meio cagão é muito mais divertido. Ele é real. Ao contrário de Dean e Sam, que são o cúmulo da fodice, Kevin age como qualquer humano comum em contato com a realidade dos Winchester agiria: se borrando de medo e contando os dias para se livrar dessa. Outra: quem acha que Mama Tran morreu mesmo uma morte terrível? Esperemos que não. Eu gosto da ex-Julie (ah,vai dizer que nunca reparou que ela é a mesma atriz que fez uma namorada oriental do Ross, em Friends?!).

Por último – porque decidi que não vou teorizar a 4 episódios e um hellatus do final –, o que dizer da linda cena do retorno de Sam com Bobby na garupa? Dean aguardava com tanta ansiedade que os três pudessem voltar! Ele não está acostumado a ficar de fora. Quando foi chamado à ação, teve que decapitar um amigo. Ficar esperando no meio do nada no Maine não está nos afazeres favoritos do Winchester mais velho. O sorriso de alívio quando ele descobre que Bobby saiu do inferno vale o episódio e pra mim ali pareceu que ele mesmo sabe que não foi a última vez que ouvimos falar do vampiro camarada. Cômputo final: episódio para assistir mais vezes durante do hellatinho que recai sobre nós, já que o 8.20 rola só dia 24/4.

CARRY ON, HUNTERS!