E chegamos a mais uma ‘finale’, e como é de praxe vem arrebentando com tudo! Literalmente falando! Porque essa ‘finale’ foi de arrebentar, foi de deixar corações partidos, acelerados em emoção, angustiados em espera por uma nova temporada.

Desde que foi liberado o título eu me peguei imaginando o que teria que ser sacrificado, o que teria que valer tanto que o sacrifício seria válido. Ninguém morreu, mas a sensação de morte e assombramento ficou. O medo, a ansiedade, a desolação e o iminente “o bicho vai pegar.. De novo” está de volta à Supernatural.

Sim, eu falo de volta porque o gancho no final do episódio, abriu tantos leques de histórias que podemos dizer que Carver cumpriu o que prometeu: tenho história para três temporadas. E tem mesmo! Já que citei Carver, vou continuar falando dele aqui. A primeira palavra que me vem ao falar dele, é obrigada. A segunda é respeito. E a terceira é,  porra!

Obrigada por ter resgatado o verdadeiro espírito de Supernatural que é Dean e Sam unidos contra tudo e contra todos. Eles são fortes juntos. Isso é incontestável.

Respeito porque Carver soube colocar os plots (enredos) e desenvolvê-los com coerência e sem atropelos, sem brechas, sem sensação de “isso não tá certo”. Tenho respeito por Jeremy Carver porque ele resgatou Supernatural de um lugar que a gente não sabia mais onde iria parar. E antes que os defensores de Sera Gamble digam que estou sendo injusta, vou logo dizendo que respeito a profissional que ela é, mas jamais aceitarei ou concordarei com o samba do crioulo doido que foi a sexta e sétima temporadas. Por mais que os plots, alguns episódios tenham sido interessantes, a maneira que ela escolheu pra fazer isso, foi, na falta de uma palavra melhor, broxante. Não conseguiu nos fazer apaixonar pelos vilões, pelas histórias, pelas descobertas. Sem contar que Dean e Sam na gestão dela, pareciam dois caras que caíram de paraquedas no mundo sobrenatural. Estavam irreconhecíveis como nossos irmãos caçadores favoritos. Mas isso são águas passadas, agora é a era Carver.  Respeito Carver por esse entendimento melhor de tudo que Supernatural significa para nós.

E porra, Carver! Precisava nos fazer ficar assim de queixo caído na finale? Tipo uma virada geral na mitologia. Quer dizer, um gancho fenomenal em tudo. Nas temporadas anteriores vivemos à sombra de demônios, inferno, leviatãs.. Na oitava temporada passamos boa parte dela envolvidos com isso de novo (exceto pelos leviatãs, mas ainda algo relativo a Purgatório, que voltando às duas temporadas anteriores, era um baita plot, mas super mal desenvolvido) mas num determinado ponto começamos a ver que poderia existir algo mais, algo que não era só inferno, demônios e os Winchesters. E Carver nos mostrou que os Winchesters ainda continuam lá, firmes e fortes, mas temos algo além de demônios e inferno. Temos anjos e Céu, que não significa necessariamente coisa boa e redentora. Pode significar nossa destruição também. Por isso: porra!

O que eu pude notar nessa finale, foi que tivemos muitas coisas, muitas mesmo, mas sem solução pra nenhuma. Tudo foi deixado para ser resolvido mais a frente. Castiel e sua eterna relação com Céu e com os Winchesters. O Céu e seus membros ativos podendo e fazendo uma bagunça muito maior que a de Lúcifer. Sam e sua relação com o inferno, com Dean e com tudo que ele fez. Dean e seu poder de superar tudo, de encarar medos, de limpar a bagunça de todos e ainda ser parte ativa de toda essa coisa que é o mundo sobrenatural. Vilões antes tidos como eternos vilões e que talvez possam ser ‘curados’. Anjos que supostamente não deveriam trair e são mais peçonhentos que todo o Inferno junto. Enfim, foi um fechamento digno de algo que Carver começou a construir lá no 8×01, quando nos foi dito que existem tábuas escritas por Deus que podem ser a solução de todos os problemas. Ou não. Como pudemos ver nessa season finale. Na finale também ficou clara que o legado do Homens das Letras dos Winchesters serão mais valiosos que nunca nessa nova empreitada dos Winchesters.

Então voltamos ao 8×23, à Sacrifice. Que belo título, que coube como uma luva para o episódio. “Sacrifice”, Sacrifício que significa, entre outras coisas: “abandono forçado ou voluntário daquilo que nos é precioso; renúncia”. Me pego a perguntar, quem sacrificou o que, por que e para que? Realmente houve algum sacrifício ou houve apenas a intenção para se ressaltar que nem toda renúncia significa redenção? O que dizer de tanta mensagem durante o episódio sobre confiança, amizade, lealdade, mentiras, vinganças, ressentimentos, arrependimentos, vaidade, soberba, libertação?

Realmente foi um episódio que nos mostrou (mais uma vez) que nem tudo é o que parece ser. Que nossa percepção age de acordo com que acreditamos e acima de tudo queremos ver. Que nos leva um bom tempo para distinguir entre ‘percepção’ e ‘realidade’, mesmo que isso deveria ser bem claro para todos. Por incrível que pareça, talvez pelo fato dele ter sobrevivido ao Purgatório, onde ele se sentiu mais ‘puro’, Dean foi o personagem mais ‘pé no chão e centrado’ de todo o episódio. Ele sabia o que queria, como e quando queria. Acho que não teve dúvidas para ninguém que o objetivo dele em tudo isso era matar dois coelhos com uma cajadada só: fechar os portões do Inferno e fazer Sam ficar bem. Se ele tivesse que decidir entre os dois, não restaria dúvida que o Inferno podia ficar de portões escancarados para sempre. Os demais personagens, até mesmo Sam em alguns momentos, parecia que estavam sem rumo, estavam indo em direção à algo que não estavam certos sobre a finalidade. E isso foi brilhante da parte de Carver, nos deixar nessa angústia junto com eles, nos deixar com essa sensação de ‘tá faltando alguma coisa. Tem algo no ar, mas o que?”.

Sabíamos que Dean e Sam precisavam fazer o que era preciso, mas à que ponto? Dean estava tão amedrontado com que isso traria e faria a Sam.  Sam estava tão fraco, tanto físico quanto emocionalmente, que dava para começar a duvidar de sua sanidade. Mas eles são Winchesters, certo? Teimosos e determinados como poucos, com um senso de dever que poucos possuem. E desde o episódio passado, Clip Show, ficou claro que eles estavam no jogo sim, mas que eles tinham suas regras e seus limites. Mais uma vez ficou provado que a célebre frase “Save people, hunting things” é a marca registrada deles. Salvar pessoas sempre vem em primeiro plano. Sempre. Isso é o que sempre foi Supernatural: valores familiares lutando contra uma maldade jamais vista, seja de onde ela vier. Supernatural nos fez voltar a refletir até onde podemos e vamos chegar para aplacar nossos demônios internos em detrimento do bem maior. E eu acho que essa questão não será respondida tão cedo. Nos resta refletir sobre isso.

Toda essa emoção inexplicável que sentimos por esse seriado, começa já na recapitulação do episódio com a música que é marca registrada dos irmãos Winchesters. “Carry On My Wayward Son”. Desafio uma pessoa que é fã do seriado, ficar imune ao som dessa música. Mesmo aqueles que estão frustrados agora com a série, aposto que sente no mínimo uma ponta de nostalgia por tudo que Supernatural já representou ou representa. É um música emblemática que mostra bem o que Dean e Sam são. Não dá pra sentar e ao menos não sorrir quando a música está rolando.

Logo após a música temos o demônio-mor da temporada assolando outra vítima, outra pessoa salva que é importante para os meninos. Vemos Crowley em toda sua maldade pronto a fazer o que for preciso para subjugar seus inimigos mortais, Dean e Sam. Até mesmo matar nossa querida xerife Mills. Confesso que senti que aqui ela já estava sob o feitiço de nosso odiado demônio. Porque sinceramente essa versão tão frágil de nossa xerife só justifica por estar enfeitiçada por um demônio charmoso.

Entra em ação nossos meninos, dispostos a fazer o acordo. Mas claro que Crowley não deixaria por menos. Ele tinha que ver Dean dizer que se rendia. Em outros tempos acho que Dean mandaria ele a merda, mas nosso Winchester mais velho está mais maduro e analisando melhor a situação. Está no modo de “ok, vou ceder agora pra ganhar depois”. E acho que foi o que ele fez. Espero sinceramente que a nossa xerife ainda esteja viva e que possa voltar em futuros episódios. Afinal ela ainda é uma das personagens femininas que ainda resta nesse universo sobrenatural dos Winchesters. Finalmente tive minha resposta que a tábua dos anjos ainda ficou com Crowley 🙂

Os meninos vão pegar a tábua com Kevin e o nerdzinho escolheu um lugar muito pertinente para esconder o artefato! Um caldeirão do diabo com o chifrudo rindo e fazendo deboche! Kevin entrega a tábua para os meninos em sinal de confiança no que eles estavam fazendo e em contrapartida Dean entrega a ele a chave da BatCave, do bunker dos Homens das Letras, demonstrando a mesma confiança. Confesso que gostei disso, gostei de saber que um profeta do Senhor e um nerd vai estar dentro de tanto conhecimento. O que podemos esperar disso? Isso será explorado na nona temporada? Imagina Sam e Kevin azucrinando Dean com tanta ‘nerdice’. Acho que vou curtir isso se acontecer!

Temos a primeira aparição de Castiel e Metatron no episódio. Castiel ainda tentando entender o papel de Deus e dos anjos nessa bagunça toda. E ele pergunta a Metatron sobre Deus. Metatron diz sua visão Dele, e Cas parece desapontado e frustrado. Principalmente depois que Metatron diz que Deus é justo e Cas não consegue esquecer que ele matou uma criatura apenas porque Deus determinou que assim fosse para se cumprir testes. Mas Castiel ainda crédulo que Metatron queria arrumar a bagunça no Céu, entrou na dele sobre o segundo teste que era recuperar o arco do Cupido. Já dava pra desconfiar aqui que esses testes que o Metatron estava dizendo a Cas era balela. Como é que ele de repente estava ouvindo anjos, estava por dentro das ações deles se ele disse que viveu recluso por tanto tempo, sem querer saber de nada sobre eles? Mas enfim, Cas e todos nós pensamos que o escriba do Senhor sabia o que estava dizendo porque afinal de contas foi ele quem escreveu as tábuas.  Vale ressaltar que o humor de Castiel ainda é o mesmo, ou seja, inexistente para piadas mundanas!

Dean e Sam seguem para fecharem o acordo com Crowley. E o local escolhido nada mais é que o ferro velho de Bobby. Emocionei-me vendo aquela pilha de lata velha e me lembrando de Bobby. Lembrando da cena linda onde  Bobby dá uma bronca em Dean depois de descobrir que ele fez um acordo pra trazer Sam de volta a vida, lá na segunda temporada, e depois sendo o paizão que ele sempre foi pra esses meninos quando ele percebe o quão Dean está quebrado e até que ponto ele estava disposto a chegar por Sam. Lembrei de foi nesse ferro velho que Sam se abriu pro Dean logo depois da morte de John e Dean teve seu desabafo destruindo o Impala com uma barra de ferro. Me lembrei que foi nesse ferro velho que Dean reconstruiu o Impala, a casa deles. Foi nesse ferro velho que Dean teve sua noite de amor angelical. Literalmente. Portanto esse ferro velho tem história. E claro que não dá pra passar em branco a cena onde Dean e Sam param em frente o velho carro de Bobby e o contempla. Como se relembrando de seu dono e tantas histórias ali vividas. Linda cena.

Crowley e os meninos se encontram. O “Hello boys” dele é emblemático na série já e provoca arrepios na espinha, sabendo que vem chumbo grosso por aí. E claro, citações que ele sempre modifica no sentido de espezinhar os Winchesters. Assim como as colocações cheias de ironias e sarcasmos. Adoro essas falas do ‘Rei do Inferno”. E de como ele é convencido e arrogante! Sem contar nos apelidos que ele deu aos meninos e isso pegou mesmo fora do seriado, mesmo quando eles são Jared e Jensen! Squirrel para Dean, e Moose para Sam! Só que Crowley é esperto e exige que Sam assine o contrato porque afinal é ele a fazer os testes. Dean entra no modo irmão mais velho e decide que ele vai ler aquela coisinha pequena de contrato. É quando Crowley aprende de uma vez por todas que ele está lidando com Dean Winchester! Não com um tolo qualquer que ia deixar essa coisa de ‘Eu me rendo’ passar barato! Adoro o momento em que ele coloca a algema em si mesmo e em Crowley a cara de “Bobão, ganhei!”. É impagável também a decepção de Crowley quando ele percebe que não vai se safar dessa. Dean tem seu momento de vingança com socos e palavras que estavam entaladas na garganta. Esse é Dean Winchester! E claro a revelação que Crowley era o terceiro teste. Que ele era o demônio que seria curado. Um tanto ambicioso hein? Vou dizer aqui que como sempre amei a interação dele com Sam, como eles estão na mesma sintonia depois de tanto tempo meio que “off”.

Vemos Naomi e sua posição burocrática no Céu, recebendo mais um relatório de seus asseclas sobre Castiel e surpreendentemente sobre Metatron. O que ativa um alerta nela. Ela vai de encontro a Cas e Metatron que estão numa lanchonete esperando que o tal cupido apareça e Cas como sempre sendo sutil como uma jamanta e com um senso de humor único. Naomi chega com seus capangas, ordenando matar Castiel, mas o anjo é salvo pelo dono do bar. Metatron não tem tanta sorte e é levado por Naomi.

Voltamos a Dean e Sam que estão colocando Crowley em solo sagrado e preparando tudo para o processo de purificação do demônio-mor. Tenho que elogiar aqui o trabalho da produção do seriado. Bela locação, belíssimas cenas, ótimos objetos cenográficos sem exagero ou falta, boa iluminação, ótimo trabalho de maquiagem e fotografia. Todas as cenas que foram feitas nessa locação foram de um trabalho belíssimo. A igreja que o pessoal do seriado construiu para as cenas ali, ficou perfeita, encaixou como uma luva no tom do episódio. O clima do Canadá também ajudou, com chuvas, chuvas e paisagem deserta. Belíssimo.

Dean e Sam tem uma conversa a respeito de todo o procedimento para ‘curar’ Crowley e o que tem que ser feito. Essa conversa não foi dentro do Impala, mas fora dele, bem perto. E isso já denuncia algo, ou tocante ou espinhoso. Mostra ser algo espinhoso, uma vez que Dean traz a tona todos os erros de Sam e provoca, surpreendentemente, resignação e não raiva no caçula. Dean tentando aliviar o clima traz a tona algo relacionado a mulheres. O que Sam tenta devolver, mas não tem sucesso uma vez que ele está visivelmente abalado com tudo. Tanto fisicamente quanto emocionalmente. Sam vai para sua ‘confissão’. Quem não quis saber, exatamente aqui nesse ponto o que Sam confessaria a ponto de purificá-lo? Eu quis e fiquei meio frustrada por não saber o que ele disse. Mas valeu a pena espera né?

Cas aparece para Dean pedindo ajuda, algo meio que inesperado para Dean uma vez que no episódio passado ele deixou bem claro que não quer mais nada com Castiel. Cas revela a Dean que conhece Metatron e sabe o que está na tábua dos anjos mesmo que ela esteja em poder dos Winchesters. Vemos em seguida Metatron preso, na sala de Naomi. Ele revela que os métodos dela são conhecidos, leia-se tortura e entrar na mente de todos. Ela diz que os arcanjos queriam que ela o interrogasse quando Deus sumiu. É nesse momento, com as perguntas que ela faz sobre o porquê do escriba, de repente, resolve dar as caras, que podemos começar a traçar que existe algo muito além de apenas testes para fechar os portões do Céu. Metatron tem o conhecimento do Céu e isso é uma arma e tanto. Ele sabe o que jogar, quando jogar e como jogar. A citação que ele faz quanto a bênçãos, ofertas e escolhas é algo que cai como uma luva para o que viria em seguida.

Voltamos a Dean e Cas, onde Dean faz uma análise bem pertinente sobre Metatron e o quanto ele mudou da noite pro dia. E Castiel diz a Dean que ele é o único que pode fazer os testes e fechar os portões do Céu, mas não sem a ajuda de Metatron, que sabe quais são os testes e onde realizá-los. Dean é meio que cético quanto a isso e diz a Cas que pode ser uma coisa boa, fechar o Céu e botar ordem na casa, mas ele tem que focar em Sam agora. É interessante notar que Dean não diz para Castiel que precisa fechar o Inferno, ele diz que precisa estar lá pra cuidar de Sam. Mais um ponto que mostra o real interesse dele em tudo isso. Não a vingança por tudo que o Inferno fez a ele e sua família, mas o cuidado e proteção de Sam. Esse é Dean. Entretanto Sam aparece e diz que Dean deve ir, deve fazer o que precisa ser feito e o que parece ser uma boa coisa. Dean numa demonstração de confiança em Sam, volta a dar força moral pro irmão, dizendo que essa coisa de Inferno é o trabalho deles e diz que é pra ele fazer o que precisa, sem medo e sem hesitações. Dean mostra claramente aqui que confia em Sam, que sabe que ele é capaz de fazer isso. Ele reluta em deixar Sam, mas ele vai com Castiel. Um amadurecimento e tanto hein?

Finalmente Sam e Crowley estão sozinhos e começa o processo de ‘cura’. Crowley usando suas palavras ferinas já que não possui nenhum poder no momento, tenta atingir de tudo quanto é jeito. Sam continua fazendo o que tem que ser feito e sentindo os efeitos disso.  Até que Crowley literalmente mostra seus dentes e arranca um pouco de sangue de Sam. Crowley usando todo conhecimento que tem sobre ‘ligações sanguinolentas infernais’, pede ajuda, de um jeito que a gente sabe que demônios fazem desde a primeira temporada, quando Megan fez o mesmo, lá em Scarecrow. . Vou dizer que aqui fiquei meio ‘Oh, não! De novo não!”, com receio de que fosse outra fuga à la Abbadon, afinal Sam deixou o poderoso chefão sozinho. Mas isso não aconteceu.

Kevin e Castiel se encontram na BatCave e tem um embate duro. Kevin deixa bem claro que não sabe se será capaz de fazer o que eles querem em tão pouco tempo, uma vez que ele levou seis meses para traduzir a tábua dos demônios e tenta mostrar que está farto de fazer coisas a respeito dessas coisas. Castiel mostra seu lado impaciente e diz umas verdades a Kevin sobre seu papel de profeta nisso tudo. Dean e Cas saem em busca do tal cupido para pegar o arco conforme Metatron tinha dito e estão no referido bar onde ele irá aparecer. Castiel mostrando que continua mais anjo que tudo, quando diz “fêmea” para se referir à alguém, deixando claro que ele não sabe como dizer travesti e em seguida chamando a atenção de Dean por ele estar bebendo, aqui uma clara meta-referência ao fato que Dean sempre bebe no seriado e que não há motivo pra alarde quanto a isso. Dean tenta se certificar se Castiel sabe onde está se metendo, fechando para sempre os portões do Céu e ficando preso lá com ‘seus inimigos’. E então a linda referência a E.T, a qual obviamente Castiel não entende. “E.T goes home”. O que claramente nos diz que não importa o que acontece, o grande herói tem que voltar pra casa. E o cupido aparece e faz seu trabalho. Atira a flecha do amor nos dois homens no bar. Uma nota aqui. Adorei a indireta bem direita na sociedade. O cupido não tem distinção de sexo. Ele faz dois homens se apaixonarem, em pleno Texas, um estado totalmente conservador e cheio de preconceitos em relação à homossexualidade. Achei isso de uma beleza incrível. Um tapa na cara de gente homofóbica. A reação de Dean é a mais esperada possível. De choque. Um cara que não está acostumado com isso e fica realmente surpreso ao ver determinada situação. A música “Nice to Be with You” coube perfeitamente no momento. Adorei!  (Se vier engraçadinho aqui insinuar que Dean e ou Jensen é homofóbico, vai ler direto na cara. Não vou levantar esse tipo de discussão aqui numa análise de episódio, uma vez que esse assunto entre Jensen e homofobia já rendeu que chega, mas que fique claro que não vou tolerar em nenhum momento qualquer comentário preconceituoso quanto ao que rolou no episódio ou que envolva os atores. Nem vem). Mas Cas não o deixa pensar muito a respeito, e eles vão atrás do Cupido. Cas está meio que ansioso demais, e por incrível que pareça, Dean o contém. Quem diria que um dia Dean seria do tipo ‘pergunte primeiro, atire depois’? Mas ele usou de seus instintos aqui, mais uma vez. E surtiu efeito. Ficamos sabendo pelo Cupido,  que os anjos na verdade estão com medo do caos que está no mundo deles. Ninguém sabe de mais nada, eles estão completamente perdidos. Mais um motivo para que Castiel ache que ele pode dar um jeito nisso tudo. Pode fazer o lar deles, ter ordem novamente. Ela entrega o arco do cupido, sem lutas, sem brigas, sem mortes.

Voltamos a Sam e Crowley. E cara, qual não foi minha surpresa deliciosa ao ver Crowley cantando Bowie! David Bowie! E como sempre mais parabéns para equipe do seriado. Eles sabem escolher como ninguém as músicas que encaixam na cena, no objetivo da cena. “Changes” de David Bowie não podia descrever o momento melhor do que Sam estava fazendo a Crowley. A petulância do demônio de que Sam iria falhar em mudá-lo, era algo deliciosamente irritante de ver. Claro que ele contava com a ajuda que viria após seu chamado infernal. E não é que chega alguém? Nada mais nada menos que Abbadon. A sexy, linda e extremamente confiante e maldosa demônia. Uma dos “Cavaleiros do Inferno” escolhida pessoalmente por Lúcifer. Ela chega arrebentando. A começar por roubar a emblemática fala de Crowley. ‘Hello boys”. Ela começa seu show tirando Sam do caminho. E então ela se vira para Crowley, quem achava que ela viera para salvá-lo. Abbadon mostra a Crowley do que o Inferno é feito. De gente ambiciosa, vaidosa, gananciosa, sedenta por vingança e capaz de qualquer coisa em busca de poder. Gente que não brinca em serviço quando o assunto é maldade. Abbadon dá uma bela surra no ‘Rei do Inferno’ e mostra a ele que é uma piada ele se achar o “Rei do Inferno”. E que ela é muito, mas muito mais esperta e malvada que ele. Uma outra nota aqui. Penso que Abbadon foi uma importante adição ao seriado. Ela trouxe gás extra ao universo dos demônios com seus objetivos e seu papel ainda não totalmente claros nisso tudo. Ela estava atrás de Henry Winchester, um Homem das Letras, ela estava com o padre que fez o ritual de ‘curar’ um demônio e ela certamente sabe sobre o Homem das Letras. E como Carver já disse que o universo dos Homens das Letras será amplamente explorado, isso nos leva a pensar que Abbadon pode estar extremamente envolvida nesse universo. Torçamos para que o personagem permaneça e seja bem desenvolvido. Abbadon depois de deixar claro quem é que está no comando agora, é surpreendida nada mais, nada menos pelo ‘Moose’. Sam mostra que ainda é um Winchester acima de tudo e que tem cartas na manga sempre. Ela terá que aprender que com um Winchester não se brinca!

Entra em cena Naomi e Metatron. E outra vez parabéns ao trabalho de maquiagem e de efeitos visuais do episódio. Aquele olho de Metatron dava nos nervos. Era como se eu pudesse sentir a dor e a agonia por ter o olho perfurado com uma broca. E começam as revelações. Metatron começa a mostrar todo seu ressentimento em relação a Deus e o que ele teve que fazer. Mostrar toda sua mágoa por ter feito tanto por Ele e Deus simplesmente foi embora e os deixou para lidar com tudo. Metatron mostra que ele tentou entender Deus, mas os Arcanjos conseguiram deturpar tudo. Destruir o Paraíso que Deus tinha deixado para eles. E então ele mostra que ele ficou o tempo todo escondido, esperando o momento certo para se vingar. Naomi literalmente some no ar e deixa Metatron lá sorrindo vitoriosamente.

Entra em cena novamente Crowley e Sam. O podemos ver que o demônio está finalmente detonado fisicamente. É realmente muito interessante ver o quanto Crowley é intrigante e tão petulante mesmo nas piores situações para ele. Ele começa a falar sobre amizade, guerras e trincheiras. Sobre lealdade entre parceiros. Sam não dá a mínima e injeta mais sangue purificado em Crowley. O demônio não para de falar e começa a balbuciar sobre séries e filmes. Percebemos aqui que não é apenas Dean que é uma enciclopédia ambulante sobre filmes e séries. Durante as divagações de Crowley ele começa a falar de amor. De pessoas que merecem ser amadas. Sam percebe a mudança. Onde já se viu um demônio como Crowley falar de amor? Ambos ficam surpresos. A cena seguinte mostra que Sam está cada vez mais fraco, e Crowley cada vez mais mudado. Ele começa a falar com Sam, e depois de chamá-lo de Moose mais uma vez, ele finalmente chama Sam pelo nome. O modo como ele diz Sam é de certa forma, bem resignado, como se o próprio Crowley soubesse que não há mais volta para ele e o que ele um dia foi, O Rei do Inferno. Crowley pede a Sam um favor, pergunta sobre o que foi a confissão de Sam, uma vez que ele mesmo, Crowley, não sabe o que fazer, por onde começar a pedir perdão. Vemos que Crowley tinha saído de um patamar totalmente cruel para um patamar totalmente devastado pelo que fez. Arrependimento genuíno. Busca do perdão. A um passo de ser ‘curado’. Sam responde injetando mais sangue purificado, e Crowley resignadamente oferece seu pescoço para receber a dose. Essa cena foi no mínimo expressiva. Foi algo que claramente nos diz: estou a seus pés e faça o que quiser comigo. Ao final quem se rendeu foi Crowley. Mark Sheppard merece um Emmy por brilhante performance como Crowley. Desde sua entrada na série, que suas aparições no episódio são momentos de pura admiração pelo trabalho de um ator. Ele conseguiu e consegue com Crowley nos fazer aflorar todo tipo de emoção. O que é basicamente todo objetivo do trabalho de um ator: mexer com emoções, seja lá de quem for. Então parabéns a Mark Sheppard.

Voltamos a ver Dean e Cas na sua busca para tentar fechar os portões do Céu. É quando Kevin dá a notícia que o que Metatron está dizendo sobre esses testes não faz o menor sentido, porque ele não consegue ler nada na tábua que fale de Neflim ou Cupido. Kevin e Dean tem uma pequena conversa bacana aqui sobre esportes e motivações. Kevin lembra a Dean que ele é um geek, um nerd e não um atleta. E cita o que é motivação para ele: jogos, RPGs, programas cults de TV. Dean como era de se esperar não entende bulhufas. É onde volto a afirmar que será uma maravilha ver a interação de Sam e Kevin na BatCave com Dean. Dean se afasta e permanece com o celular ligado.

Naomi aparece e Castiel a confronta sobre onde está Metatron. Naomi diz que não está aqui para brigar. Ela diz a Castiel o que Metatron disse sobre os testes e fechar os portões do Céu. Ela afirma que é tudo mentira. Dean se foca totalmente em tudo que ela está dizendo, e vê que isso bate com que Kevin acabara de dizer a ele pelo telefone. Kevin também escuta. Dada às circunstâncias do comportamento de Naomi com Castiel é natural que o anjo desconfie do que ela diz. Que ele não acredite em nada. Mas Naomi continua dizendo que Metatron mente, ele não quer arrumar nenhuma bagunça, ele quer é destruir tudo porque ele deseja vingança contra aqueles que o expulsou do seu lar. E ficamos sabendo que o grande plano é expulsar todos os anjos do Céu, do mesmo jeito que Deus expulsou Lúcifer. Expulsá-los para a Terra, onde eles caminhariam livres e completamente perdidos. Soltos num mundo totalmente desconhecido para eles e que de certa forma pode ser ao mesmo tempo aterrorizante e excitante. Teremos vários anjos caídos ao invés de um só, e o que isso pode acarretar, ninguém sabe. Ninguém sabe o estado desses anjos que caíram do Céu. Mas dada a presença deles no seriado, incluindo Cas que teve momentos de megalomania e pudemos ver onde isso deu, isso provoca medo e terror.

Cas continua não acreditando em Naomi, mas Dean sabe que ela pode estar dizendo a verdade. Vemos um momento de pura aceitação de Naomi. De pura constatação do quanto estiveram errados em não entender a mensagem de Deus, que era para cuidassem da criação dele. Naomi mesmo diz que não sabe onde foi que eles esqueceram disso e se tornaram esses seres egoístas e cruéis tanto quanto os demônios no Inferno. Ela diz que gostaria muito de fechar os portões do Inferno, mas ela quer também ganhar a confiança deles, então ela diz que Sam vai morrer se ele concluir os testes. Que esse era objetivo de Deus: um grande sacrifício, o sacrifício final. Quem aqui acha que é mais um motivo para Dean achar Deus um completo babaca, levanta a mão! Naomi vai embora depois de jogar a bomba e pedir para Castiel decidir se fica com eles contra Metatron ou não.

Posso até tentar sentir simpatia por ela revelar isso, por ela alertar que ao contrário do que Dean e Sam acreditavam, que Sam ficaria bem depois de completar os testes, ele vai é morrer. Mas me pego pensando no que Naomi fez, nas estratégias que ela usou para também se manter no poder e ao invés de sentir simpatia, eu sinto muita raiva. Ela mandou Castiel matar Dean. Ela não merece perdão. Não sou tão evoluída a ponto de perdoá-la. Ela teve o fim que merecia. Todo filho da puta tem o fim que merece.

Dean pede que Kevin diga se Naomi diz a verdade ou não. Kevin não dá certeza a Dean e nesse momento ele volta a confiar nos seus instintos e exige que Cas o leve de volta, porque para ele que se ferre todos os anjos e demônios, ele sabe que precisa estar do lado de Sam. Ele sabe não pode deixar Sam correr o risco de morrer.

Voltamos a ter Crowley e Sam. Outro elogio aqui ao trabalho de maquiagem em Sam e ao próprio trabalho de caracterização de Jared. Mas isso é um ponto que vou retomar mais adiante. Foquemos no momento do episódio. No momento em que Sam recita o ritual final de ‘cura’ e está prestes a finalizar o ato com um Crowley totalmente entregue e um Sam totalmente detonado. Sam corta a mão e vemos o brilho do sangue purificado dele se manifestar. Ao mesmo tempo Dean chega para salvar Dean e Cas diz que vai salvar a casa dele. Dean faz um ligeiro movimento para começar a falar com Castiel, mas o anjo evapora. Dean não tem tempo para pensar sobre isso agora, ele entra na igreja e pede que Sam pare com tudo.

Em seguida vemos Castiel de volta ao quartel general de Naomi e a ‘anja’ morta. Mortinha com o método que ela usou tantas vezes. Castiel finalmente descobre que Naomi não mentiu, que o grande ‘vilão’ era Metatron. Cas vai parar na ‘cadeira maldita’ e Metatron usa todo seu veneno no nosso anjo. E o que ele poderia fazer de pior para um anjo? Pegar sua Graça. E é o que ele faz a Cas. Ele tira toda sua Graça dizendo que tudo que Cas fez era apenas um feitiço. Metatron então manda de forma debochada que Castiel vá viver uma vidinha ordinária. E ele envia Cas de volta a terra.

A história retorna para Dean e Sam. E aqui temos um momento magnífico de dois irmãos. Se o episódio tivesse sido todo uma porcaria, o que não foi, esse momento específico teria valido a pena tudo. Esse momento onde Dean fala com Sam, pede a Sam para parar com tudo. Fala com seu irmão devastado pelo esforço físico, mental e emocional, como se estivesse se aproximando de bicho ferido. Dean tem a sensibilidade de perceber que ele precisa fazer Sam ver que ele tem razão, que Sam precisa acreditar nele e parar com tudo para seu próprio bem, senão ele morre. E qual não é a dor de ouvir Sam dizer: “So? (E então?)”… Como assim, ‘E então?’. Sam diz isso num misto de baixa auto-estima e necessidade de fazer algo importante, como não deixar mais pessoas passarem pelo que eles passaram por causa de demônios malditos. Dean tenta ser a voz da razão aqui. E de novo, quem diria hein? Dean tenta mostrar a Sam que eles sabem muita coisa e pela primeira vez na vida eles podem virar o jogo. E finaliza com um “Não posso fazer isso sem você”. Típico de Dean Winchester.

Mas Sam está tão fragilizado, de todas as formas possíveis, que não acredita nisso. Que não acha que pode ser verdade. Ele diz que Dean mal o suporta, que Dean não acha que ele consegue fazer algo completamente. Dean tenta negar o fato, diz que não é bem assim. É onde acontece o momento brilhante do episódio. Onde, eu como uma pessoa que sempre criticou as atitudes de Sam tenho que reconhecer que ele finalmente foi homem e honesto o suficiente para dizer como se sente realmente pela primeira vez para Dean. Sem reservas. Que ele foi maravilhoso ao admitir suas fraquezas e seu arrependimento e seu desejo de perdão e redenção. Que realmente atire a primeira pedra quem nunca fez algo errado e buscou consertar de todas as formas possíveis. E quem já passou por isso sabe a dor que é buscar esse perdão, o sofrimento que é viver sabendo que machucou alguém tão profundamente.

Sam finalmente diz o que era sua confissão. Do que ele precisava ser purificado. Limpo. Precisava ser perdoado pelas vezes em que decepcionou, traiu a confiança do seu irmão. Precisava ser limpo de tanta dor que causou àquele que jamais deveria ter sido machucado por ele. Ele diz que não conseguiria suportar tudo de novo. Não conseguiria suportar a mágoa, a dor, a rejeição, os ataques de raiva, a decepção que Dean sentia em relação a ele. Não suportaria ser trocado de novo, ser posto em segundo plano em prol de novos amigos, de novos relacionamentos. Sam mostra também sua dor por ter sido trocado por um vampiro, mesmo que a gente sabe que Dean jamais trocaria Sam por nada, o caçula se sente tão rejeitado, tão desprezado, tão machucado que corta o coração ouvi-lo dizer isso.  Sam mostra a Dean que estava disposto a morrer para ter o amor, o respeito e a admiração do seu irmão de volta. Confesso a vocês que esperei oito anos por essa ‘confissão’. E reconheço que foi uma lavada de alma pra mim. Dolorosa, mas foi.

Dean corta bruscamente Sam quando ele tenta continuar seu desabafo doloroso. Dean não vai deixar Sam se colocar tão pra baixo assim na sua escala de amor e dedicação. É onde vemos (mais uma vez) a profundidade do amor de Dean por Sam. É onde percebemos que o que realmente importa, o que sempre importou para ele, foi seu irmão caçula pé no saco! Dean também é (sempre foi) homem o suficiente para reconhecer que fez burradas, que magoou Sam. Dean diz a Sam para abrir os olhos e olhar em volta tudo que fez e faz por ele. Ele diz que matou um amigo querido (mesmo que vampiro. Porque Dean finalmente aprendeu no Purgatório que nem tudo pode ser preto e branco) por Sam, diz que vai abdicar de matar todas as criaturas que fizeram a vida deles uma merda, para deixá-lo viver. Ele enfatiza a Sam que não existe nada, nem no passado e nem no futuro que será prioridade pra ele, a não ser Sam. Aqui fica bem clara a essência do personagem de Dean Winchester. Dean precisa trazer Sam de volta pra ele, precisa fazer Sam se fortalecer de novo.

E Sam num gesto lindo de pura devoção e confiança no irmão, se rende ao pedido de Dean e simplesmente pergunta, como o irmão caçula que ele é, o que irmão mais velho quer que ele faça. Dean entra no modo irmãozão e vai lá e toma conta de tudo. Mostra a Sam que ele não tem nada que se preocupar. Que ele já foi perdoado há tempos. Que ele ainda é Sammy pra ele, e sempre será. Não sei se alguém percebeu, ou se foi somente eu, mas enquanto Dean amarra a mão de Sam para ajudar a estancar o sangramento, o sorriso dele de puro ‘pai’, de alguém que está ali para se certificar que nada de ruim pode atingi-los, me fez querer abraçar os dois. Me fez querer dar um beijo na bochecha de Dean e dizer: “Obrigada por ser quem você é para Sam”. E o abraço vem para selar essa segurança. Essa certeza de que juntos eles podem lutar contra qualquer coisa. Sam se entrega plenamente. Sam se deixa confortar por essa fortaleza que é seu irmão mais velho. Por esse homem que ele mesmo já admitiu, lá na terceira temporada, ser sua fonte inspiradora no que diz respeito a caráter. Acho que minha fé em Sam nunca foi completamente destruída por causa do que ele disse lá atrás, em Flesh Blood: “Porque tenho seguido você por toda a minha vida. Te idolatrava desde os 4 anos. Analisando você, tentando ser apenas como meu irmão mais velho”. E Sam mostrou totalmente aqui no 8×23 o quanto essas palavras eram verdadeiras. Ele confiou plenamente em seu irmão e Dean não se fez de rogado, agarrou tudo.

É quando as coisas começam a despencar. Literalmente. Primeiro Sam meio que desmaia e Dean tem que praticamente carregá-lo para fora da igreja, sem saber o que estava acontecendo com ele. Mas tentando se certificar, a si mesmo e a Sam, que tudo ficaria bem. Ele grita pela ajuda de Cas, sem nem ter ideia de que o anjo não tinha mais graça e estava jogado por aí em algum lugar. Vemos que Cas foi jogado num campo e a partir das reações dele em decorrência dos acontecimentos, não sabemos em que pé está sua memória ou como ele virá na nona temporada. Vemos também Kevin na BatCave e acho que ele será uma importante ajuda para Dean e Sam na próxima temporada. Confesso que estou feliz que Kevin não morreu, eu gosto desse profeta!

Em seguida começa os acontecimentos finais do episódio. Tudo se desdobra. Vemos Crowley ainda amarrado na igreja e também não temos ideia do estado que ele está, ou o que esperar desse demônio agora. Porque afinal de contas ele não está completamente ‘curado’. O que podemos esperar de Crowley na nona temporada? Kevin vê todos os instrumentos e aparelhos da BatCave ficarem descontrolados e não entende bulhufas. Cas correndo pelos campos e olhando o Céu, assim como Dean. Eles veem a chuva de anjos. Outro adendo para parabenizar a equipe de efeitos visuais do episódio. Nada que mais grana não resolva, não é mesmo? Ficou muito bem feita essa ‘chuva de anjos’. E claro a frase final de Dean: “Anjos. Estão caindo”. E acaba o episódio.

E todos nós com cara de: QUE PORRA É ESSA? E AGORA?? O QUE VAI SER??… Pois é, se esperávamos respostas nesse episódio, não tivemos nenhuma. Tivemos várias coisas determinadas, como o fortalecimento em definitivo da relação entre Dean e Sam, o fato de que Metatron começou um outro tipo de acontecimento grandioso, talvez mais temível e assustador que o Apocalipse, e que definitivamente Castiel terá um maior papel na próxima temporada. Mas também ficamos com várias coisas indeterminadas. Vamos citar: Sam e seu estado, Castiel e seu estado, Crowley e seu estado, Metatron e suas estratégias, seus métodos e seu comportamento diante da bagunça que ele começou, Kevin e seu papel nessa nova empreitada. Portanto quem acha que não temos gancho para mais duas temporadas, precisa rever seus pensamentos!

Vou continuar aqui embaixo algumas considerações puramente pessoais e que acho que merecem atenção de minha parte. Falo aqui como fã apaixonada e sem nenhum traço de imparcialidade. Vamos lá.

Apesar de muitos não acreditarem eu gosto do personagem do Sam. O fato de eu ficar irritada com ele às vezes, é  porque eu me importo tanto com Sam, que não consigo me sentir indiferente com as atitudes dele e gostaria que ele fosse melhor retratado, que ele agisse diferente em muitas situações. Eu sei que não tenho direito de achar que o que eu penso é o mais certo, mas é o que sinto. E eu nunca disse que isso seria o mais acertado, a verdade absoluta. Eu só tento expressar o que sinto, o que desejaria para um personagem, seja para Sam, seja para Dean.

 Enfim, vou levantar e aplaudir Jared de pé aqui. A atuação dele no episódio inteiro foi muito boa, mas nas partes na igreja, com Crowley e depois com Dean beirou a perfeição. Toda a caracterização do personagem, as emoções de Sam, a condição de física e mental dele, tudo isso foi mostrado de forma brilhante por Jared Padalecki. Parabéns Jared! Nitidamente você cresceu de forma fenomenal como ator. Você nos mostra a cada dia do que é capaz de fazer. Pra você ver! Jared conseguiu com sua performance nesse episódio fazer com que minha irritação com Sam passasse, e eu voltasse a ver esperança para seu personagem! Apenas bons atores conseguem isso, e Jared conseguiu! Mais um motivo para eu admirar a pessoa que é Jared Padalecki! CLAP CLAP CLAP.

Como eu disse antes, Dean com sua declaração para Sam sobre quem e o que é prioridade para ele, deixa bem claro sua essência. Que ele é irmão acima de qualquer coisa. Mesmo acima da caça. Que se ele tiver que optar entre caçar e proteger Sam, ele irá proteger Sam. Isso para uma Deangirl como eu é o suficiente? Basta? Eu deveria dizer que sim, porque afinal de contas, Dean sempre mostrou isso desde o dia que saiu correndo porta afora com Sam nos braços. E sim, eu reconheço que essa é, sem dúvida nenhuma, a parte mais linda de Dean. Sua lealdade e seu amor incondicional por essa família disfuncional. Mas existem outras partes lindas de Dean também que não consigo perdoar os roteiristas por não explorar. Ou ao menos não ter explorado nessa oitava temporada. Ou melhor, terem um dia mostrado e atualmente parecem ter esquecido.  Existe a parte do homem, do amigo, do filho, e principalmente do caçador nato que ele é. Volto a dizer: Dean poderia ser esse irmão lindo e maravilhoso que foi ao longo de toda a temporada, mas também ser o cara turrão, obstinado, determinado e implacável caçador que sempre foi. Dean merece algo além de sombra no arco mítico. Mas isso é assunto para outra hora, aqui eu estou falando sobre Dean no 8×23 e posso afirmar que ele foi coerente com todo o papel dele na temporada. Em Sacrifice Dean se mostrou completamente em tudo que foi proposto para ele. Ele foi amigo, foi irmão, usou seus velhos instintos de caça quando isso exigiu. E acima de tudo, Dean continuou sendo a fortaleza humana de sempre. Parabéns a Jensen também, que tira leite de pedra de qualquer roteiro.

Interessante notar que Metatron não dá a mínima para o Apocalipse, para a briga entre Miguel e Lúcifer. Que ele não se importa com isso, que o objetivo dele é simplesmente se vingar dos arcanjos e anjos que fizeram a bagunça toda. Acho que podemos concluir aqui que Carver não vai mexer na mitologia criada por Kripke, sobre Lúcifer/Sam e Miguel/Dean. Acho isso de um respeito extremo e de uma inteligência e desafio incrível. Parabéns para Carver por essa percepção. Mas esperemos para ver como ele fará isso acontecer. E nós só saberemos disso ao longo da nona temporada e quem sabe (e torcendo muito) na décima.

Me pergunto agora o que será do amor. Porque Castiel pegou o arco do cupido e ele perdeu sua graça. Por onde andará esse arco? Com Metatron? Com Castiel sem o anjo saber, caso ele esteja sem memória? E ainda sobre Castiel. Será que ele voltará a ser Jimmy (seu receptáculo) ou uma nova pessoa? Ou ainda Castiel mesmo, mas sem poderes angelicais? Muitas perguntas que só serão respondidas na próxima temporada.

E ainda falando em Castiel. O 8×23 mostrou de vez sua importância para a próxima temporada. Tenho que dizer que Carver soube resgatar das profundezas da ‘ridicularidade’ (existe essa palavra?) o personagem. Carver deu um sentido sólido a Castiel nessa oitava temporada, e deixou claro que ele será importante na nona temporada. Não me impede de dizer que não sei se gosto do fato. Digo isso porque eu sempre defendi, defendo e defenderei que Supernatural tem apenas dois protagonistas: Dean e Sam. E me causa certo pavor o pensamento que possam colocar Castiel no mesmo nível de importância que os Winchesters e com isso os roteiristas perderem a mão e a série perder sua essência que é “dois irmãos a bordo de um carrão clássico viajando para combater o mal”. Dois irmãos, vejam bem. Entendo perfeitamente que a dinâmica da TV é rápida e que as coisas mudam, mas não se pode permitir que a essência da ideia mude. Isso é um tiro no pé de qualquer seriado. Temo sim que a história vire “dois irmãos e um anjo rebelde lutando contra o mal”. Não me agrada a ideia nem um pouco. E deixo bem claro que sempre adorei o personagem Castiel, mas quando ele fazia sentido lá na quarta e quinta temporada. A era Gamble deixou claro que o personagem era descartável (de forma injusta, reconheço) e por mais respeito que tenho pelo Carver, temo que ele descaracterize ainda mais o personagem por querer fazê-lo voltar a todo custo e nos enfiando Castiel num papel tão ou mais importante que o de Dean, por exemplo. Sim, eu tenho esse medo e podem acreditar que não sou a única no universo de Supernatural. E adicione a isso o fato que o arco mítico do Dean foi inexistente em praticamente toda a temporada. Sim, eu não me esqueci desse fato e volto a dizer não sou a única no fandom.

Que fique claro aqui que não odeio Castiel e muito menos Misha Collins. Eu só estou levantando uma questão que pode acontecer, e que eu como fã não sei se gostaria de ver acontecendo. Junte-se a isso o fato que eu não fiquei contente com o modo que colocaram Dean nessa temporada, e meu medo se solidificou. Mas como eu já disse antes, isso é papo para outra hora. Para outro momento. Nesse post aqui estamos falando de Sacrifice, e aqui Castiel, Dean e Sam mostraram seus papeis. Vamos ver que eventos, acontecimentos os aguardam para próxima temporada. Isso não depende de mim, isso está nas mãos de Jeremy Carver e Cia. E como respeito o trabalho de todos, vou continuar do mesmo jeito que sempre fui: assistir e me divertir com a série. Mesmo que existam coisas que discordo, ainda é maioria o que gosto de ver na tela. Abraços e até outubro!

Nota pessoal: Acho que dessa vez deu pra notar que minha análise ficou dividida em duas partes né? Uma com uma visão geral do episódio e a outra com uma visão de fã. Fã passional que eu sou e nunca neguei. Amo Supernatural e todos seus personagens, mas isso não significa que digo amém pra atitudes de todos eles. E sim sou uma Deangirl de corpo, alma e coração. Tem problema com isso? Vá fazer ioga, tai chi chuan, meditação, tomar passe em centro espírita, ir num culto evangélico, na missa, fazer terapia, lutar MMA, ou o que desejar. Mas aprenda a respeitar A MINHA VISÃO PESSOAL de um episódio. Se não é capaz de ter uma conversa com alguém que não enxerga as coisas como você, então nem comece. Eu estou aberta e ler e tentar entender O SEU ponto de vista. No mais, muito obrigada por tudo! Prometo responder a todos os comentários!

Segue links para as outras análises do blog:


Suelen Cândido

Vicki Araújo

Clarice Hubert

Guilherme Santos

Rafa Sanchez

Thiago Roderick