Abaddon ou Metatron? Quem aparecerá como vilão principal da nona temporada?
Quem tem mais de 30 talvez tenha tido, como eu, um pouco de dificuldade em ver Metatron como um cara do mal. Curtis Armstrong é um cult dos anos 80, quando ficou conhecido por participar de “A Vingança dos Nerds”, em que fazia o Melecão, um cara que arrotava em vez de falar. Virou um clássico dos filmes escatológicos de humor fácil, para pessoas com estômago forte. Fez também o bonachão Bert Viola, do megassucesso “A Gata e o Rato”, série que deu fama a Bruce Willis e a Cybill Sheppard. O cara sempre fez comédia, então me processe quem achava óbvio que ele se viraria contra os Winchester. Pra mim foi surpresa. Uma grata surpresa.
O que não me surpreendeu de maneira nenhuma foi o show que Mark Sheppard deu nos dois últimos episódios! Eu adorei que ele tenha sido o último teste, o demônio a ser curado, porque venha como o vilão ou como mocinho humanizado – mas com valores distorcidos – ou até como um daqueles molengas supercordatos sob efeito do xarope de glucose de Dick Roman, mas VENHA! Supernatural não pode ficar sem Mark Sheppard! Os demais atores trabalham melhor em cenas com ele, ponto final. Primeiro foi o monólogo do 8.22, quando ele põe abaixo a frase da série, com um desprezo incrível por todo o trabalho dos irmãos, o trabalho em que acreditam, que começou com a morte da mãe deles e que foi responsável pela destruição de tudo o que Dean e Sam amam. Agora, a derrota do Rei do Inferno, quase curado, pronto para se regenerar se ao menos descobrir por onde começar (cena que não teria o mesmo peso se a conversa tivesse sido com Dean. Tinha mesmo que ser com o Sam, que também buscava uma cura. E Jared ARRASOU, hein! Acho que é minha nova cena favorita dele. Antes era como Lúcifer em The End). Quando eu me repito no comando do twitter do site ao postar algumas vezes “manobra de gênio” é por momentos como esses, que redimem todo e qualquer “Mannequin 3”: contrastes que nos fazem, por exemplo, ter compaixão por um demônio, ter pena de um mercenário, amar um vampiro, detestar um anjo. Todos os atores se superaram nesse finale, talvez motivados por uma temporada que Jensen definiu no fim de semana passado com a frase “Eu não mudaria uma linha”. Nem eu.
Além disso, é claro que tinha que ser o Crowley! Que graça teria curar um demoninho qualquer?
A Suelen já comentou ontem, na análise dela (adorei, Su! Tá aqui o tamanho do motivo de eu não ter comentado!), sobre os efeitos especiais. Essa temporada toda – como a sétima, na verdade –, tem mostrado o carinho do atual presidente da CW, Mark Pedowitz, por Supernatural. O orçamento para o efeitos sem dúvida aumentou e a equipe soube usar os recursos para fazer bonito. Abaddon fugindo em fumaça vermelha ficou lindo, assim como a igreja onde Crowley foi aprisionado vista à noite e obviamente os anjos caindo foram os pontos altos. Aliás, Castiel vendo o céu se iluminar como uma chuva de meteoritos foi pra mim a mais bonita. Não só pelos efeitos como porque ele, agora “sem graça”, talvez não faça ideia do que está acontecendo. Talvez sim. Anna tinha essa consciência, desde que descobriu ser um anjo. Veremos. Sei que curto muito a ideia de que, como parte do elenco fixo, Misha Collins pode ter situações excelentes como Cas humano e que a busca por sua graça seja um dos plots da temporada 2013-2014.
Muitos estão comemorando a fuga de Abaddon, por possibilitar sua volta quem sabe até como o vilão principal da nona temporada. Eu tenho a ligeira impressão de que o “terno de carne” da ruivaça (é, nós ruivas somos f*da) Alaina Huffman não possa mais ser usado, certo? E eu tenho um pouco de resistência a personagens em corpos reciclados. Acho que nem preciso dizer por que, né?
Kevin tem a chave do bunker! Isso significa que o profetinha que eu amo segue nona temporada afora! Algo aconteceu naquele bunker, é importante ressaltar. Então aquilo é mais que um QG humano, física e estruturalmente falando. O equipamento todo também funciona para o sobrenatural, ao que parece. Kevin viu. E Cas já esteve lá, ou seja, na nona temporada periga a casa dos Homens das Letras virar um clubinho, uma liga da justiça. Eu espero que o local apareça mais, porque eu amo aquele cenário.
Andei lendo gente falando que queria que o Dean tivesse “deixado” o Sam fazer o terceiro teste. Primeiro, ele não tem o que “deixar”, o amadurecimento que Carver tanto mencionou como sendo uma das tônicas dessa temporada veio na forma de cada um fazer suas escolhas e respeitando as do outro, apesar de discordar. Segundo: ele CUMPRIU o teste! Crowley deu indícios de que foi curado, mas a parte de Sam morrer era armação do Metatron, creio eu. Naomi disse que viu na mente do escriba que tudo o que Cas, Sam e Dean estavam fazendo era parte de um plano. Eu penso como Dean: Sam não precisava necessariamente morrer para completar os testes e, se fizesse, a essa altura quem garantiria que isso fecharia mesmo as portas do inferno? Talvez Sam só… Morresse. E quem ama Dean como eu amo sabe, e Jensen também disse, que Dean só é feliz com o irmãozinho ali, ao lado dele. Danem-se anjos e demônios! Para Dean, Sam só tem tamanho; Sam precisa ser protegido e, se Dean cresceu sendo pai e mãe do Alce, imaginem depois do que ele ouviu do pai em In My Time of Dying? E vendo o irmão perder a alma? E por vê-lo atormentado por Lúcifer? Ou ver Sam finalmente fazer as pazes com o fato de que é humano, que sendo puro ou impuro, não há como esperar dele e de quase ninguém a abnegação e a entrega total de Dean. “Deixe estar, irmãozinho. Só liberte. Deixe. A gente vai dar um jeito, como sempre deu.” Aquele abraço apertado e Dean tomando as mãos do caçulinha nas suas e Sam se curando. Isso foi messiânico. Dean faz milagres, afinal. Eu vou chorar de novo.
Isso me lembra outro comentário que li por aí, que foi mancada Dean estar longe, deixando Sam sozinho com Crowley. Dean tinha que ser quem descobre a verdade, pois não acreditaria se ouvisse por outra pessoa que Naomi (já vai tarde) teve um ataque de boa moça e procurou Castiel para alertá-lo. Além de ser claro que ele jamais teria deixado Sam agir como quisesse se estivesse na tal igreja junto com seu irmão. Sam precisava se confessar e ter suas descobertas por si só.
Apesar do desfecho bonito, esses finais “eu já sabia que a emissora ia nos manter no ar” me dão uma pontinha de desgosto. Se formos analisar para além da emoção e da beleza, da nossa paixão e do “broment”, nada efetivamente aconteceu. Foi o gancho dos ganchos! Os portões não se fecharam nem no Céu e nem no Inferno, não sabemos pra onde foi Abaddon, não sabemos se o novo Rei da Cocada Preta é Metatron, Sam ainda pode estar seriamente ferido. Cas perdeu sua graça e se lembrará disso ou volta disposto a finalmente trocar de roupa? Quem se habilita a dar um sobrenome pra ele? E acima de tudo, como encaixar Bobby nesse arco, porque se o dono do ferro velho não voltar eu como a orelha do Carver, depois de cobri-lo de beijos pelo que foi, pra mim, a segunda melhor temporada da série até hoje.

Amanhã tem mais um membro da equipe postando sua análise!
Leu a da Suelen ontem? Ta aqui!