Supernatural repetiu algo que tem feito desde a sétima temporada; iniciar o ano a todo vapor. O episódio de início da sétima entrou para a minha lista das três melhores premieres da história de Supernatural. O da oitava foi ótimo, serviu para introduzir o arco principal da temporada e também para mostrar o porquê de terem escolhido Jeremy Carver como o novo showrunner. Com a premiere da nona, não foi diferente. O dever de casa foi cumprido, e com ainda mais intensidade do que no último ano. Foi um episódio vigoroso, recheado de surpresas e cenas das quais jamais iremos esquecer.

Confesso que esperava por alguma música do AC/DC na recapitulação – já que as músicas da banda proporcionaram as melhores recapitulações da série – e que também não fiquei agradado com a música escolhida, a princípio. Porém, a seleção de cenas foi ótima, sintetizou de maneira elogiável as cenas mais vultosas da oitava temporada, salientando o verdadeiro objetivo da tão famosa e renomada recapitulação “A estrada até aqui.”

As cenas iniciais do episódio fizeram jus ao que o produtor-executivo Robert Singer disse no sneak peek de cinco minutos que foi liberado pouco dias antes da estreia da nona. “Começamos esta temporada praticamente minutos após o final da oitava.” Entretanto, a saúde de Sam e o modo de agir de Dean deram ao entender que algo estava errado. Realmente estava, porque, logo a seguir, é revelado que a cena entre os irmãos no Impala era apenas uma projeção da mente de Sam, o qual estava, na verdade, em coma. Pobre Sam.

Dean, como de praxe, permaneceu ao lado de seu irmão e em nenhum momento desistiu. Uma das inúmeras características do Winchester mais velho, as quais mais podem ser consideradas qualidades, que eu admiro, é a perseverança. Independente da situação em que estiver, Dean insiste até encontrar uma maneira e luta até o último homem, mas nunca desiste. Por este motivo, a mente de Sam o projetou como sua parte que quer viver, o que faz todo o sentido. Algo que eu realmente não esperava, era ver Bobby como a parte de Sam que quer morrer. “O que você chama de morrer, eu chamo de deixar um legado.” Não deixa de ser uma asserção verídica, porém a seguinte frase suprime todo e qualquer contra-argumento: não existe Dean se não existir Sam. E vice-versa.

Castiel. Após uma temporada de muita aleatoriedade para o personagem (leia-se sétima), a presença do anjo voltou a fazer sentido na oitava. Agora, na nona, acredito que tal presença volte a ser tão comum quanto um dia já foi. Apesar de alguns fãs terem passado a desgostar do personagem e serem contra a permanência dele na série, eu ainda o vejo como um coadjuvante importante para Supernatural e personagem de grande relevância para o arco mitológico da temporada. O número de anjos que o culpam e têm a intenção de vingar-se dele pelo o que aconteceu ao Paraíso, equivale a um exército. Castiel apareceu em apenas um episódio até o momento e já está sofrendo as consequências de seus atos. Vê-lo ter de lidar com isso será um tanto quanto interessante.

Ezekiel. Normalmente, o certo a se fazer quando Supernatural introduz um personagem, é não confiar no mesmo. Não completamente. Basta olhar o que Metatron proporcionou no final da oitava temporada. A vítima que na verdade era o vilão. Enganou a mim e a muitos outros, feito patos. Não creio que venha a acontecer o mesmo com Ezekiel, pois acredito que sua intenção seja realmente boa e que ele não desfrute da mesma crueldade abrangida pelos outros anjos. Meus sinceros elogios para a mente brilhante que teve a ideia de Sam e Ezekiel curarem-se simultaneamente, através de uma possessão. Simplesmente genial. Supernatural não cansa de me surpreender. Mal posso esperar para ver como a história vai se desenrolar. Não posso deixar de elogiar Jared pela atuação incrível do início ao fim do episódio. Suponho que ainda o veremos interpretar Ezekiel, no corpo de Sam, por um bom tempo. Ao menos o suficiente para que o Alce se cure por completo.

Morte. Desde sua primeira aparição, lá na quinta temporada, eu o tenho como um dos personagens mais geniais e mais bem construídos de Supernatural. Uma das únicas coisas edificadas por Sera Gamble às quais sou realmente grato. Suas aparições são sempre distintas e convenientes. Não o colocam em determinado episódio somente pela grandeza do personagem, mas sim porque faz sentido e é necessário para a mitologia. Quando foi revelado que o Cavaleiro faria sua quarta aparição, logo imaginei que Dean o teria chamado por ajuda, novamente. Estava enganado. Morte aparecer por vontade própria, para garantir que ele mesmo ceifasse, coletasse a alma de Sam, mostra o quanto ele o respeita e o admira. Julgando pelo fato de que já interagiram mais vezes, acredito que ele tenha o mesmo sentimento em relação a Dean. Não poderia existir ator mais perfeito para o papel do que Julian Richings. Sensacional a caracterização do personagem. Realmente espero que apareça mais vezes.

Cena final e expectativas. Sam e Dean no Impala, como de praxe. Embora diferente, porque, mais uma vez, um segredo reside entre os dois. Algo de extrema importância, que, quando vier à tona, pode por em risco a promessa que fizeram um ao outro e até mesmo acabar por separá-los outra vez. Sempre que Dean guarda um segredo de Sam, ou o contrário, algo de ruim acontece. Vamos esperar para que, dessa vez, seja diferente. Afinal, Dean verdadeiramente não tem escolha. Ou ele mente e Sam sobrevive, ou ele fala a verdade, Sam expulsa Ezekiel e morre. Quanto ao restante da temporada, devo dizer que estou muito animado. Assim como coloquei fé no trabalho proposto por Jeremy na temporada passada, estou colocando nessa. Vejo na nona temporada potencial para se tornar a melhor de todas, tenho ótimas expectativas e acho que dificilmente ficarei decepcionado.