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“Não há eu se não houver você.”

Ser fã é um sentimento estranho. Sim, um sentimento, um estado de espírito, uma sensação. Então acredito que nós, os fãs, somos feitos de sensações e pensamentos que só cabem a nós, que só a gente conhece e entende, ou talvez não entendamos.
Partindo da premissa de que todos aqui já assistiram ao episódio, farei minha análise de forma menos didática, porque hoje eu não consigo ser racional. A parte passional que me preenche está gritando para se fazer ouvir, então vamos lá!
O hiatus não me faz sofrer, até gosto, descanso um pouco. Mas a semana que precede a estreia me faz ter dores de barriga e sono alterado.E desde o hiatus da season 1 para a 2 que eu não me sentia tão ansiosa. E tal qual o episódio In my time of dying, este episódio me fez me apaixonar pela série. Foi como quando os casais refazem os votos depois de anos de casamento. Eu te amo ainda. Eu te amo novamente.
Eu nunca liguei pra arco mitológico, o que amarra os episódios ou não. Eu gosto de todas as temporadas e detesto alguns episódios. Não precisa fazer lógica pra mim, não quero nada sofisticado, certinho, coerente. Só quero sentir o que senti assistindo a season premiere.
Sam dentro do carro, projetando sua vontade de lutar, de seguir em frente, de viver e tudo isso através da imagem de Dean. Que metáfora sensacional. Que recado para todos nós: Dean é força, é luta, é nunca desistir, é seguir em frente, não importa o que aconteça. Bobby é o pai, o racional, aquele que diz: está tudo bem, você é um herói, você fez tudo que podia, não tenha medo, estarei te esperando do outro lado. A mente de Sam nos mostrou de forma brilhante quem são estas pessoas que amamos.Elas são parte de nós. Nós somos assim, uma parte que sempre quer lutar e outra que quer a redenção.
Castiel sem poderes. Gostei mais do que pensei que gostaria. Gostei dele ter uma parte só sua, ter que se virar sozinho. Eu amo Castiel, mas não gostaria da ideia de vê-lo sentando no banco de trás do Impala o tempo todo. A situação dele me faz pensar nas mudanças da vida, em como elas podem ser ora assustadoras, ora maravilhosas.
Dean. O amor é a palavra que move este personagem, ele é passional e ele não vai desistir nunca de seu irmão. Este é ele, não adianta quererem muda-lo, não adianta querer que ele tenha poderes ou qualquer coisa do tipo. Ele é puro, limpo, apenas sentimento. Ele tem medo de ficar sozinho. Ele é um garotinho de 4 anos que viu a mãe morrer e que jurou cuidar e proteger seu irmão. Ele é o garoto que  abriu os braços para Sam quando este deu seus primeiros passos. Ele é força pura. Ele não vai abrir mão do irmão dele, nem que para isto ele tenha que fazer um pacto, ou guardar um segredo doloroso até seu irmão se curar. Ele não é racional. Ele tem o direito de não ser, porque ele abriu mão da própria vida em demérito dos outros. O arco mitológico do Dean é este. Ele sempre teve este arco. Ele não precisa ser o receptáculo de ninguém, ele não precisa chupar sangue de demônio, ele não precisa fazer os testes. Esta história toda é contada sob a perspectiva dele. Sinto como se meus olhos ao assistir a série, fossem os olhos de Dean, a visão dele, tudo o que acontece ao redor dele. E amo Sam porque Dean também o ama. Dean ama seu irmão como um pai ama um filho. Me recuso a achar que ele não tem vez na série porque ele é quem sempre tem tudo na mão. Ele é quem cura, ele que resolve, ele é o herói.
Gostei do fato de Dean ter um segredo, a história está nas mãos dele agora. Ele que começou a escrever o arco da temporada, ele é quem vai brigar nesta guerra contra os anjos. Ezequiel disse: Alguns de nós ainda acredita em Castiel… e em você. Eu sempre acredito em Dean e sempre o entenderei.
Sammy, o irmão caçula, tão forte e tão vulnerável. Ele falando para a Morte que se for pra morrer que seja pra sempre, assim ninguém mais se machuca se ele voltar. Taí a explicação da não busca por Dean. E eu o entendo perfeitamente também, porque todas as ações dele tiveram consequências terríveis e dolorosas, então pra que voltar? pra causar mais dor? pra decepcionar ainda mais seu irmão?
Não sei se confio em Ezequiel. Não estou certa de que ele cumprirá sua parte no trato. Ainda mais com um episódio chamado I think I’m gonna like it here. (Acho que vou gostar daqui). Medo.
Teremos o inevitável conflito entre Sam e Dean quando Sam descobrir o que o irmão fez. Mas tudo fica bem após a tempestade,porque a única coisa que fez Sam desistir da ideia de morrer foi a imagem de seu irmão dizendo que eles precisam existir no mesmo mundo. E é isso mesmo. Não há um sem o outro. Eles são os dois lados da mesma moeda e eu quero ver sim, irmãos codependentes. Eu quero vê-los errar, mentir, sofrer, sorrir, se perdoarem. Eu assisto a série porque sempre que um deles toma uma decisão inconsequente eu penso que esta é a essência dos seres humanos. Não os quero evoluindo e sendo maduros e racionais porque eu já tenho que ser aqui no mundo real.
Assisti ao episódio segurando o choro assim como Dean fez durante praticamente o tempo todo, e finalmente o momento que me fez chorar foi quando os aparelhos estão anunciando a iminente morte de Sam e Ezequiel diz a Dean: “Vou deixa-los a sós”. Naquele momento eu me coloquei no lugar de Dean, ele iria se despedir não apenas de Sam, mas de toda a sua família. De tudo aquilo que ele sempre quis que fosse normal e feliz. De sua metade alegre, que não tem medo de tentar algo diferente da vida que lhe foi imposta. De seu irmãozinho.E ele fez a única coisa que era possível, ele fez o impossível. E sim, não há Dean se não houver Sam. E sem Dean, Sam fica incompleto e vazio.
E sem Supernatural eu era uma pessoa que se achava completa.
Carry on
PS: Eu sou do tipo que choro com o belo. As atuações de Jensen e Jared foram dignas de um Oscar. Misha também arrasou! Eles passam a emoção para nós de forma metafísica, porque eles também amam seus personagens e os respeitam. E nos respeitam também. Estamos todos ligados por uma energia especial e única. Nem todos passam pela vida com esta chance.
“Se a vida é um sonho, sonhemos pois.”