Quando vi, pela escala da equipe, que me caberia First Born, fiquei em primeiro lugar com inveja do Rafa, porque o 9.10 tava prometendo (e foi sensacional, hein?). Eu só não imaginava que logo depois viria um tão maravilhoso quanto, que muitos chegaram a dizer que seria um filler, “porque Caim vai aparecer, encher linguiça e morrer, tipo o Prometeu”. Que bom que esses estavam errados!

Episódio com todos os elementos para o fandom inteiro amar! Teve “arco”, teve citação a John, teve luta – talvez a melhor e mais longa luta coreografada da história da série (que Jensen fez sem dublê) –, caçada, angst, amizades novas sendo seladas… OK, Dean e Crowley, Jensen e Mark, ainda podem render muita coisa, para a comédia, para a ação, para o drama, para o nosso deleite… Mas quer coisa mais significativa que o abraço já há muito aguardado entre Sam e Castiel? E puxa, TINHA que ser agora, quando ambos perceberam o quanto têm em comum. Daí o laço que Cas tem com Dean, quem sabe. Parte do que os dois – Sam e Cas – podem ter em comum é ver o quanto o irmão mais velho pode ser autodestrutivo, e que alguém precisa por bom senso na cabeça dele. Isso, claro, sem contar o que Cas disse, e que eu sempre defendi: a tendência a cometer erros na intenção de acertar. Quem nunca? O negócio é que, com a gente, isso se traduz em uma palavra a mais ou a menos, um gesto exagerado… No arco de Supernatural, isso pode significar o apocalipse. Fazer o que? Se tem uma coisa que a gente já sabe, é que a vida dos Winchester não é fácil. Se a gente soubesse que toda essa sabedoria viria de um sanduíche de geleia e manteiga de amendoim, hein?

Então quer dizer que Caim matou Abel para impedir que Lúcifer o levasse? Foi o irmão mais velho que defendeu a vida do mais novo, mesmo que isso lhe custasse a eternidade na fornalha? Eu ADORO quando Supernatural torce verdades estabelecidas, que mexem com as nossas verdades e nos fazem pensar se não terá sido isso mesmo. Essa história faz muito mais sentido que “Abel era o favorito de Deus, buáá buáá”. Me fez lembrar outros momentos de grandes torções de dogma na série: por que Lulu caiu, por que Gabriel virou o trickster, por que Sam e Dean são descendentes de Caim e Abel. PQP, que série boa!!! Vou usar umas linhas para comentar o brilhantismo de Tim Omundson como Caim: meu amigo, vc NASCEU pra fazer esse personagem! Como é bom ver ator trabalhando direito. Faz com que todos os nossos conhecidos astros, que já andam dando um show mais digno de aplausos a cada semana, tenham mais material para ser ainda melhores!

Vou emendar falando nisso, aliás: não houve um olhar ou uma frase ou um frame ou um segundo desperdiçado nesse episódio! Quando eu soube que o diretor seria o tarimbadíssimo John Badham (do famosérrimo “Os Embalos de Sábado À Noite”, e de “Aprendiz de Feiticeiro”, com Michael J. Fox, “Tempo Esgotado”, com Johnny Depp, “Jogos de Guerra”, com Matthew Broderick, todis filmes que eu adoro), imaginei que algo especial aconteceria. Mas vou citar como exemplo uma cena: o momento em que Caim fala com o túmulo da esposa, ajoelhado ao lado da lápide. Preciso dizer mais? Ah, outra: CROWLEY FAZENDO O SINAL DA CRUZ! Hilário!! Tenho certeza de que ele ajudou Jensen, Jared, Mark, Misha, Tim e todos os outros a encontrar mais uma pecinha pra montar o quebra-cabeça que segue incompleto há nove temporadas. Valeu, Badham!! Como disse Jared no twitter, faça o favor de voltar!

Arco paca, né? Dean tem agora “a marca de Caim”, algo só seu, uma parte da história pessoal que só saberemos se envolve Sam mais pra frente, e pra combinar com os ossos enfeitados por sigilos e a tattoo no peito (*suspira*). Isso – para mim, óbvio, como tudo numa análise pessoal – não significa que agora ele tenha uma ligação com Lulu. Como já cansei de dizer por aí, eu não acho que Supernatural vá revisitar um assunto tão pré-histórico na mitologia quanto Lúcifer. Deu, enfiaram o rapaz na jaula, deixe o cara lá. A luta (ops, campanha) entre Abaddon e Crowley para herdar o Inferno está muito mais divertida.
Voltando a Dean, com um episódio especialmente Deancentric, será um prazer ver como ele vai lidar com o preço alto que todo mundo tentou alertar que viria com a marca, a ligação com Crowley, o fato de estar longe de Sam e Cas. Essa segunda parte da temporada vai ser pesada para o aniversariante do dia (se vc está lendo essa análise dia 24/1, HAPPY BIRTHDAY, DEAN!!!). Vou destacar, além de dizer que ele arrasou como quase sempre, como as expressões de Dean enriqueceram a cena com Tara. Por si só, a cena já seria boa. Mas a reação dele a “matamos o demônio e tivemos um ótimo fim de semana”, fala de Tara sobre JOHN, seu pai, que provavelmente largou os filhos por um fim de semana para ficar com uma mulher, foi inigualável. Ele mal percebeu que a mulher estava a fim de ver se o filho tinha mais alguma coisa em comum com o pai, além da beleza. Dean já vem há tempos tomando pedras e toras no pedestal em que colocou o pai. Me pergunto se, em algum momento, virá o golpe final, algo que mude de vez a ideia que ele tem de John, aquela cagada master que faça Dean acordar e parar de “odiar a si mesmo mais que todo mundo” que, com a mais absoluta certeza, tem raízes na forma como ele foi criado, sem uma palavra de incentivo, como um soldadinho proibido de errar somente por ser criança.
Doeu, hein? Dessa vez ele ouviu, porque veio de alguém que não teria dito porque ele precisava ouvir, saca? Me explico: Dean deve achar que todas as vezes que Sam, Cas, Chuck, Garth ou quem quer que seja o elogie, ou tente fazê-lo ver que ele tem valor, o dito elogio está vindo de alguém que tem pena dele ou que ache que deva incentivá-lo por algum motivo maior. Nunca de forma espontânea ou sem motivos escusos. Crowley não tinha por que encher a bola de Dean. E sim, ele tem valor. Ele é meu fucking HERO!! #TVboyfriend

Enquanto isso, na Sala de Justiça… Digo, no Bunker dos Homens das Letras (como é lindo, não? Não me canso desse lugar…), descobrimos que uma colher de sopa de Graça não é suficiente para encontrar um anjo. Mas foi um mote excelente para Sam externar o que realmente pensa sobre a vida que tem levado: que sua vida não é mais importante que a de ninguém. Não havia como ele não chegar a essa conclusão, sendo Sam: se ele estava pronto para morrer e queria morrer, por que Dean não deixou que ele morresse fechando os portões do Inferno? Os motivos de Dean a gente conhece bem, e ele disse com todas as letras no 9×10, não vou entrar nesse mérito aqui, mas agora Sam considera, certamente, que o sangue de todos os que morrem depois de “Sacrifice” está nas mãos dele também. Kevin é apenas o que dói mais.
É, não vai ser tão fácil encontrar Gadreel. Carver não é tão básico. Eu gosto quando as coisas não funcionam em Supernatural, porque detesto a palavra “paia”, usada por fãs que acham pouco o que os irmãos passam. Desde quando a vida deles é uma “paia”?! Bem, pouca coisa deu certo nesse episódio, pensando bem. Nada de Primeira Espada, nada de Gadreel, o tiro de Tara não matou o demo, Caim largou uma promessa de 150 anos… Não tá fácil pra ninguém.

Sei que ainda há muito o que comentar, mas vou parar por aqui, porque já estou achando que deveria ter gravado um podcast…

IMPORTANTE: a gente costuma comentar mais algumas coisas em respostas aos comentários que a galera posta. Siga lendo para conhecer tudo e por favor, comente também!

CARRY ON!