Olá, como vão, hunters das letras?

Hoje vou tratar de um assunto que sempre achei interessante, as diferenças de interpretação da Bíblia “convencional” e a mais “crítica”, e desde o episódio First Born, venho preparando um texto sobre isso, compreendendo apenas o Gênesis (não só o livro, como a criação do Universo em si), culminando com Caim e Abel. Aproveitem!

 

 

A tradição bíblica e religiosa nos mostra um gênesis em que Deus cria o mundo e tudo que ele contém em seis dias e descansa no sétimo. Daí em diante, somos apresentados a Adão e Eva, e a criação de conceitos de toda uma humanidade, sua expulsão do Éden e logo depois o primeiro assassinato, com Caim se sentindo ofendido por Deus e matando Abel.

Mas essa é apenas uma das versões de como aconteceu isso. Há textos indicando que a criação do nosso mundo não é nem de perto o começo do Universo, dando uma maior explicação para a traição de Lúcifer, maior do que “ele ficou com inveja e quis o lugar de Deus para si.”

De acordo com esses textos, Deus criou uma grande extensão de espaço, e os anjos para servi-Lo. Lúcifer era o anjo mais bonito de todos, e o mensageiro que era enviado para transmitir suas ordens por todo o Cosmos. Durante o período da criação, Deus levou seus anjos para conhecer tudo que havia criado, e mostrou um lugar amorfo e sem luz, advertindo-os que nada havia ali, e que se mantivessem longe de lá. Mesmo Lúcifer sendo um fiel servo divino, e amar seu Criador, a curiosidade começou a corroê-lo, querendo saber o que havia lá que Deus não queria mostrar a ninguém, e decidiu entrar por si mesmo para descobrir que lá havia… trevas, e nada mais que trevas. Irado por acreditar ter sido enganado, acabou se sentindo irritado, foi cobrar explicações de Deus, que afirmou que ele a própria curiosidade havia sido sua perdição, por procurar algo que havia sido proibido. Lúcifer então vai aos outros anjos, como normalmente, e começa a pregar que Deus não é mais o mesmo, que ele não respeita seus anjos e esconde a sabedoria toda para si. Um terço dos anjos o ouve, mas os outros dois terços permanecem fieis, levando as duas facções a uma batalha em que Lúcifer e os outros anjos rebelados são aprisionados no centro da escuridão que tanto desejaram.

Deus então vai até essa massa disforme e vazia, e cria a luz, e começa a modelar essa massa e a torna a Terra que o Gênesis nos mostra, e cria a humanidade à Sua imagem e semelhança, e os põe em um lugar idílico, o Jardim do Éden, e deixa o fruto do conhecimento do bem e do mal ao alcance deles, mas proíbe que a comam, de forma similar à de Lúcifer, intimamente confiando que eles farão a escolha certa. Lúcifer, entretanto, sentindo mais uma vez a traição, consegue se conectar com a serpente, e a usa para convencer Eva a comer o fruto, e garantir que Adão também o coma, colocando-os na mesma posição em que ele mesmo se encontrava, sob a ira divina. Deus, no entanto, sabendo que foi um engodo para estragar a  humanidade, os perdoa, mas como descumpriram Seu mandamento, os retira do seu paraíso, e os obriga a trabalhar por seu sustento, e o resto é estória/história.

Quanto a Caim e Abel, existem muitas lendas que diferem da versão “Caim mal e Abel bonzinho”, mas antes de ir para essas lendas, gostaria de falar brevemente de um mito grego similar à história desses desafortunados irmãos, o mito de Atreu e Tiestes. Eles eram descendentes de uma grande figura mitológica, Tântalo, e tinham grande competitividade, em esportes, no amor, e na preferência dos deuses. Em uma analogia mais radical, em ocasião de se escolher o rei da cidade de Micenas, seria feito um sacrifício do melhor cordeiro de seus rebanhos à Artêmis. Atreu encontrou um cordeiro dourado quando escolhia sua oferenda e se considerou o beneficiado pelos deuses, mas se sentindo orgulhoso demais, decidiu escondê-lo e sacrificar outro cordeiro. Deu-o à esposa, para que escondesse por ele, mas não sabia que a esposa era apaixonada por seu irmão Tiestes. Ela deu o cordeiro para o cunhado, que o usa para reclamar o trono para si. Atreu, com a ajuda de Zeus e Hermes, consegue seu trono de direito, e expulsa Tiestes, que é marcado como traidor do próprio sangue. Após planejar uma vingança contra o irmão, o convida para um jantar em que supostamente se reconciliariam, mas Tiestes mata os filhos de Atreu e serve-os para o pai em um ensopado, e depois que o irmão acaba de comer, mostra as cabeças deles, e o mata, enquanto Atreu o amaldiçoa e a toda a sua descendência.

Já Caim e Abel, esse é um mito que inspirou muitas obras de ficção, sempre na forma de um irmão puro e gentil, e o outro invejoso e brutal. Supernatural foi na verdade uma das poucas, senão a única mídia que questiona esse mito, mostrando que Caim na verdade estava salvando o irmão de vender sua alma a Lúcifer, e ganha sua marca que impede que outros o matem, e aqui essa marca é, além da imortalidade, a pura habilidade de um assassino.

 

E então, gostaram dessa nova face da história da criação bíblica? E desses irmãos gregos, que compartilham um pouco da triste história do fratricídio?

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Até a próxima!