Supernatural proporcionar-nos momentos de partir o coração e tirar o fôlego em seus episódios finais de temporada tornou-se algo constante e prescindível ao passar do tempo. Em nove anos de história, não houve um episódio de final de temporada que não tenha-nos feito derramar lágrimas de emoção ou aflição. Como não lembrar do emocionantemente doloroso discurso de Dean olhando para o cadáver de Sam em All Hell Breaks Loose – Part 2 (2×22)? Ou Dean sendo estraçalhado pelo cão do inferno em No Rest For the Wicked (3×16)? Ou Lúcifer espancando Dean em Swan Song (5×22)  e o mesmo dizendo para Sam que não o abandonaria? São tantos momentos épicos e tristes em finais de temporada que eu poderia fazer uma análise direcionada apenas à isso. Um dos aspectos que mais gosto nestes finais é os diálogos entre os irmãos. Podem passar uma temporada inteira brigando, decepcionando um ao outro e os fãs, que, no final, sempre farão as pazes. Muitos reclamam de que eles já brigaram demais e que assistir a isto está cansando. Logo pergunto: qual relacionamento entre irmãos não tem isso? Quais irmãos não brigam e vivem sempre em um mar de rosas, sem nunca despontarem-se? Se existem, peço que me apresentem a eles para que possa parabenizá-los por isto, porque ainda não tive a oportunidade de conhecer irmãos assim. Sempre haverá algo que faça com que o afeto existente entre Sam e Dean sofra um deslize. Um ou outro será responsável por fazê-lo, porque nenhum dos dois é perfeito. Porém, como disse, terminarão por acertarem-se, como quaisquer outros irmãos normalmente acabariam por fazer.

 

“Do You Believe in Miracles?”, além de uma finale maravilhosa, foi um episódio que expressou bem isso. Sam passou uma quantidade considerável de episódios tratando Dean de péssimo modo e dizendo coisas cruéis, o que me deixou incrivelmente irritado com ele. Deixa-me profundamente triste que tenha sido preciso que Dean seguisse um caminho escuro, chegando à beira de tornar-se algo que ele não é jamais aceitaria ser, e, ainda mais gritante que isso, da morte, para Sam enxergar o quão errado estava. Entretanto, isto é assunto para os parágrafos finais. Vamos por partes. Começando por Metatron. Quem diria que o anjo Escriba de Deus, cuja aparição era demasiadamente incerta no momento de sua primeira citação, viria, de fato, a fazer parte do enredo? Não só fazer parte do enredo como também se tornar uma das peças mais essenciais dele e um dos vilões mais odiados da história de Supernatural. Quando citado pela primeira vez, Metatron deixou-me ansioso para que sua adição à série realmente acontecesse. Agora, aquilo pelo que mais anseio, é sua morte definitiva. Curtis primordialmente conseguiu fazer de seu personagem algo muito além do esperado e merece os parabéns por isso e pelo grande ator que é. Não sei se outro ator transmitiria a ganância, carência, arrogância e megalomania de Metatron tão bem quanto Armstrong transmite. Arrogância e megalomania às quais o levaram a seu fracasso. Queria de verdade que o tivessem matado. Castiel bem que podia tê-lo feito. Aliás, o fato do Escriba-mal-amado ter sobrevivido me leva a acreditar que esta não foi a última vez que o vimos, que ele de alguma forma escapará da Prisão do Céu e continuará aprontando. Consequentemente volto a dizer que teria sido muito mais prático se simplesmente o tivessem matado. Desde Azazel e Ruby não desejo tanto a morte de um vilão como desejo a de Metatron. Já tivemos surtos de carência suficientes da parte do Escriba-mal-amado-agora-prisioneiro. Espero sinceramente que, na próxima temporada, ele nos faça o favor de deixar de existir.

 

A morte de Gadreel foi o que mais me deixou chateado nessa finale. Essa temporada introduziu histórias ótimas e com possibilidades de serem desenvolvidos por um período longo de tempo. Sua adição só perde para a de Caim. Ambos são, curiosamente, ligados à Lúcifer. Por mais necessária para o enredo que sua morte tenha sido, eu torcia pela estadia do personagem. Esperava que tivéssemos mais detalhes a respeito de seu maior erro, aquilo pelo qual ele mais sente vergonha e ressentimento: permitir a entrada da Serpente ao Jardim. Sempre que alguém mencionava isso, Gadreel remetia dizendo que não havia sido culpado pelo acontecimento. Pergunto-me por quê. Pergunto-me se ele foi realmente o culpado pelo o que desencadeou a corrupção do homem. Não há duvidas de que os roteiristas poderiam aprofundar-se ainda mais na história e fazê-la render bons frutos. No episódio, Gadreel desempenhou um papel mais do que importante, agindo como aliado. Sua busca por redenção meio que me faz sentir pena dele. Embora tenha imperdoavelmente matado Kevin, nunca consegui odiá-lo completamente. Vejo Gadreel como alguém fraco, ressentido por graves erros do passado e facilmente manipulável – motivo pelo qual foi novamente enganado e comprometido. Apesar desse e outros equívocos, não vejo nele a mesma maldade que outros anjos sentem até mesmo prazer em demonstrar. A expressão em seu rosto e sua reação no momento em que ele e Castiel estão no escritório de Metatron e subitamente são jogados na Prisão foi no mínimo lastimável. “Não, não, não! Não aqui.” Infelizmente, ou felizmente para os que são capazes de odiá-lo da forma que eu não sou, Supernatural perde um dos mais peculiares anjos adicionados à sua história recente. R.I.P. Gadreel.

 

O agora bom entendedor de cultura pop Castiel foi outro personagem importante para a resolução do arco. Arco o qual era muito promissor nos primeiros episódios. Esperava-se que a trama dos anjos, uma das histórias mais bem construídas e de maior impacto da série, pudesse trazer um tom de quarta ou quinta temporada à atual. Porém, a única coisa que conseguiu fazer foi mostrar o quão batida está. Perdoem-me aqueles que acham o contrário, e que ficaram satisfeitos com o que foi feito a respeitos dos “caídos” durante o nono ano, mas eu esperava mais. Francamente deixou a desejar. Enquanto bem desenvolvido, não tenho problema nenhum com o arco dos anjos. Porém, se for para mostrá-los na próxima temporada da mesma forma que mostraram nessa, prefiro que resolvam o problema deles logo no primeiro episódio e que os deixem lá, no Céu, onde tanto querem ficar. Voltando a Castiel. O anjo que se tornou uma peça irrevogavelmente importante no enredo desde que foi introduzido, têm passado por poucas e boas nos últimos tempos. Castiel, na verdade, nunca esteve totalmente a salvo. O mais querido da Guarnição têm estado em apuros e à beira da morte desde sempre. Seu próprio interprete, Misha, alfinetou em relação a isso em uma entrevista recente. Collins não é o único que deseja que isto fosse diferente, pois também torço para que Castiel esteja envolvido em algo melhor do que apenas ser o líder de uma oposição de anjos caídos confusos. Correto que as caóticas sexta (nem tanto) e sétima (até demais) temporadas destorceram Castiel – de um jeito que não gosto nem de lembrar. Correto que Carver fez com que a permanência do personagem voltasse a fazer sentido na oitava. Entretanto, não foi dado seguimento a tal aspecto em boa parte da nona. Ele precisa de algo melhor para significadamente permanecer, porque, senão, estará realmente apenas permanecendo por permanecer. Ou até mesmo por obrigação, como alguns ousam destacar. Espero que parem de insistir em chamá-lo de líder e, mais importante que isso, aguardo por um enredo melhor para o anjo.

 

Não poderia deixar de falar da parte da temporada que mais me deixou satisfeito: o arco da Marca de Caim. Jamais esperava ver um personagem da relevância de Caim ser introduzido à essa altura. Carver como sempre nos presenteando com o que tem de melhor a oferecer, ao criar enredos como esse. Quisera eu ter a oportunidade de agradecê-lo pessoalmente por tudo que tem feito ultimamente. Não consigo (e nem quero) imaginar o rumo que Supernatural poderia ter tomado nas mãos de Gamble. O destaque da nona foi certamente Dean e a Marca. Os efeitos que ela gradualmente causou a ele e a que a ponto o fez chegar. Dean recebê-la foi um dos eventos mais surpreendentes e ousados da temporada. Só não mais surpreendente do que sua resolução. Quem imaginaria que a Marca seria a causa da morte de Dean e motivo de sua volta? Como um demônio! Incrível. Simplesmente incrível. Baita gancho. Verdadeiramente não sei o que esperar disso. Esta imprevisibilidade me deixa animado e ao mesmo tempo angustiado. Anseio por saber como Dean reagirá ao saber que transformou-se no tipo de coisa que mais odeia e que caçou durante toda sua vida. Boa parte dela Dean dedicou a caçá-los, e agora é um deles. Mark Sheppard fez um trabalho magnífico na cena final. Crowley cada vez mais controverso. Não sei se o vejo como um inimigo ou um aliado. Aparentemente, ele acredita que de certo modo Dean e ele se tornarão parceiros. Duvido muito. Acredito que o ódio que Dean sempre sentiu pela espécie irá somente se intensificar, e que suas intenções com o Crowley serão tudo menos uma aliança. Alguns estão com medo que curem Dean no primeiro episódio para livrarem-se de vez do problema. Duvido muito também. Não acho que seriam ousados a ponto de transformá-lo em um demônio para despojadamente curá-lo no primeiro episódio. A propósito, ficarei  extremamente chateado se o fizerem.

 

Pergunto-me também como Sam irá se opor quanto a situação e se ele se sentirá culpado pelo o que aconteceu com Dean, porque, afinal, se eles não tivessem seguido caminhos diferentes quando Sam expulsou Gadreel de seu corpo e descobriu que Dean o tinha enganado, talvez Dean nunca teria recebido a Marca, sofrido o que sofreu e se transformado naquilo que ambos mais odeiam. Deixando claro que não estou culpando Sam pelo o que aconteceu com Dean, porque quem optou pela escolha de receber a Marca foi o próprio Dean. Estou apenas considerando o fato de que Sam pode se sentir culpado por isso. Resta esperar para saber. Apesar de que tenha amornado em determinado momento e apresentado alguns pontos negativos, essa temporada me deixou satisfeito. Porém, não vou criar muitas expectativas para a décima. Criei para essa e meio que me decepcionei. Achei que seria uma coisa e foi outra diferente. Desta vez, vou só esperar e assistir. Sem expectativas. Para finalizar a análise, gostaria de fazê-los refletir deixando a seguinte frase: “You either die a hero or you live long enough to see yourself become the villain.” (Você morre como um herói ou vive tempo o bastante para se ver transformar no vilão). Carry on!