Dean morre. Começa a trilha linda que eles usam desde que Sam morreu nos braços de Dean em All Hell Breaks Lose I. Essa galera quer me matar! Lenços, já, que eu to borrando o rímel!

Hunters, que finale! Eu ainda me pego analisando isso e aquilo e teorizando como jamais fiz. Eu gosto de me surpreender e tenho um pouco de medo de um dia criar uma teoria que supere, ao menos para mim, o que acabo vendo na tela. Decepção is a bitch. Ainda mais com Supernatural. Que os deuses da arte dramática jamais permitam que eu me decepcione com Supernatural. Poucos são diehard como eu. E eis mais uma prova.
Deixa eu comentar antes coisas que têm de ser ditas, mas que eu quero “tirar da frente”, antes de chegar ao suculento.

Tahmoh/Gadreel: um ator que já coleciona alguns fandoms e está entrando no elenco de convidados para convenções. Eu imaginei mesmo que ele entraria para a história do nosso fandom como mártir e seria amado pela eternidade, embora eu não me importe com o motivo. Foi bonito o que ele fez, mas para mim soou meio “não fez mais que a obrigação”, além do que… *suspiro pesado e exausto* Já me explico.

Sam ainda pensa “o que o Dean vai pensar de mim?”, então não diz tudo o que acha, não faz tudo o que quer e ainda se sente mal quando mete os peitos e faz. Dean é mesmo a mãe dele. A discussão na porta da casa da mocinha salva por “Marv” é prova disso. Dean desaprova a “amizade” de Sam com Gadreel, mas está tranquilo em ser “amigo” de Crowley. De que forma as duas situações são diferentes? Dean pode dizer a Sam que ele está errado, ainda que faça o mesmo. Faça o que eu mando e não o que eu faço. Se isso não é coisa de mãe, eu não sei o que é. Mas para mim funciona. Eu amo a dinâmica dos dois e sempre amarei. Os Winchester são meus amores com todas as suas incríveis qualidades e inúmeros defeitos. Eles são humanos. Eles são críveis. Eu quase me esqueço que, fora isso, eles caçam monstros. Tire as criaturas e eles são qualquer um na rua, que GRAÇAS A TUDO O QUE HÁ DE MAIS SAGRADO, não vive em um mundo maniqueísta, onde há somente o bom ou o ruim. Acaba que eles não poderiam ter um pano de fundo melhor, já que hoje sabemos que nem todo monstro é só ruim e nem todo humano é incapaz de fazer monstruosidades.

Passemos a Metatron (”um transformer escreveu isso aí?” Não dá pra falar o nome dele sem pensar nessa fala do Sam): todo mundo detestou esse cara. Teve amar odiar e o só odiar mesmo. Eu só odiei, mas amei como ele foi a voz dos roteiristas nessa temporada. Muita gente o odiou porque ele atirou na cara do fandom um monte de coisa que muita gralha precisava ouvir, muito “cala a boca que agora sou eu quem está falando”. Ele, não Deus, queria deixar uma marca em que todos acreditassem. Ele pode decretar, na máquina de escrever dele (ou no computador), a morte de alguém, se quiser. Mas não o fará porque ele PODE. Ajoelhe-se e reverencie o seu novo deus e, ao final do episódio, você entenderá por quê. Um Chuck às avessas. Se Chuck era Kripke, Metatron é um aviso de Carver de que ele está mais para JK Rowling do que para Walt Disney, e pode matar o personagem principal sem dó, em nome da estética literária. Guenta, que lá vem a décima!!

A fandom aqui é formado em sua maioria por adolescentes do sexo masculino, que não parecem estar muito aí pra isso, mas o fandom americano e europeu é basicamente formado por mulheres e essas ficam cobrando que eles conversem mais e expressem seus sentimentos. Para nós brasileiros dá pra entender o WTF? dessa cobrança, né? Dois caras que cresceram sem mãe (nem pai; nem comento de novo o que acho de John, todo mundo sabe), enfrentando desde muito cedo todo tipo de coisas das quais as outras pessoas correm, morando em quartos de hotel e pegando garçonetes até arrumar uma ou outra namorada. É, esperem sentadas os dois pegarem uma caixa de bombons e baterem um papo à la Nicholas Sparks. Eu não tenho o menor problema com as brigas dos dois. Eu mesma tenho dois irmãos que não passam 5 minutos sem pelo menos erguer a voz um com o outro, mesmo morando em casas diferentes há anos! Nem o whatsapp escapa. Junte isso ao estresse da vidinha FDP que eles levam e querem o quê? Que eles façam bolinho de chuva e assistam à Ellen (Jensen, essa foi ótima!)? A parte mais interessante é o quanto eles se entendem e se conhecem (e de maneira teimosa, fazem coisas que sabem que o outro não vai aprovar).

Eu cansei de dizer: “A produção de elenco trouxe o cara que só fazia nerd loser por um motivo, e não é arrotar o tempo todo, como o Booger fazia. Fiquem de olho, Winchesters!” Eu disse, não disse? O cara ESCOLHIA o visual mais patético, a aparência mais miserável e o jeito tosco de ser para se armar com o poder das tábuas e partir pra cima de Dean, o cara mais fodão do pedaço. Nem mesmo o Winchester mais velho percebeu qual era a do vilão. E ele também avisou, quando conta a Gadreel seu plano de parecer vulnerável no momento certo e pegar o herói no pulo. O “fim” que ele dizia conhecer era Dean morto. Mas ele não contava com Crowley, nem com Mark Sheppard e seu instrumento afinadíssimo. Cara, que ator! Não há uma fala que ele não aproveite como se fosse “Ser ou não ser, eis a questão”. E oba, agora ele é nosso!!!
Nem a gente contava com Crowley, porque nem Crowley contava com essa variável. Não fica claro se ele armou o tempo todo conhecendo esse desfecho para Dean ou se um demônio para uivar para a Lua com ele foi apenas um bônus inesperado. Ele confessa que sabia de coisas que não contou, mas enfatiza que nunca mentiu, o que me leva a crer na segunda opção. É claro que o plano dele de ter um novo parceiro de aventuras vai por água abaixo. Eu sigo confiando em Carver (especialmente se ele e os roteiristas arrumarem uma faca boa para desatar as mãos, o que também já explico) e acho que ele vai nos surpreender como nunca quanto à reação de Dean ao se ver como um demônio. Será que ele vai ter consciência da vida anterior? Será que ele vai ser influenciado pela marca e curtir por um tempo? Será que ele vai lutar contra sua nova condição desde o início? Eu só torço, do fundo do coração, que a coisa não se resolva nos primeiros episódios. Ao contrário do que os roteiristas parecem preferir, que é não se delongar nos assuntos por muito tempo, eu quero ver Jensen curtindo cada minuto desse novo personagem dentro do seu velho e bom conhecidíssimo Dean, que agora já não estará tão confortável na palma de sua mão. Aí vem o que eu tenho chamado carinhosamente de JensenFest, porque sei que ele tem por aí mais um presente dos céus e vai arrasar em cada segundo.
Essa preferência dos roteiristas foi o que mais me incomodou nessa temporada. Eu queria ter visto a marca agir mais lentamente e por mais tempo em Dean. Uma ou outra atitude impensada, um gesto que ele mesmo não reconhecesse, a raiva vindo com menor intensidade, mas aumentando com o decorrer dos episódios. Poderia ter sido uma maratona, não 100 metros rasos. O que atrapalhou? O plot dos anjos.

Eu dou o braço a torcer para o Kripke. Deu de anjos. Valeu, obrigada. Colocá-los na jogada era mesmo um caminho sem volta. Mas não pelo plot em si. Ninguém contava que o fandom se apaixonaria de tal forma por aquele carinha simpático, de brilhantes olhos azuis e extremamente gente boa. Sim, eu também curto Castiel, e acima disso, muito acima, amo Misha. AMO. Tipo, um cara de quem eu gostaria de ser amiga, se tivesse a chance. Um gênio, um altruísta, um ator generoso, de um bom humor do jeito que eu mais gosto. Mas Misha não é apenas Cas e Cas não é mais importante para Supernatural faz tempo.
Ah, você reclama de Supernatural desde o final da quinta temporada? A culpa é do fandom! O amor por um personagem que não faz parte do enredo principal da série deixou os roteiristas de mãos atadas. Não há mais como tirar uma peça exaurida do tabuleiro sem parte do fandom abandonar o barco. Na sexta temporada isso ficou claríssimo: não havia o que fazer com Castiel. A pressão foi tão grande, que acharam que ele tinha que ser figura central. A gente viu no que deu. É a ÚNICA parte que realmente me incomoda na sexta temporada, e que atravancou o desenvolvimento de outros plots, como o das almas, de Sam sem a dele e dos Campbell, ideias ótimas, porém mal exploradas. Na sétima, deixaram o cara meio de escanteio e o fandom reclamou. Apesar de um plot — ainda que não tão popular — muito mais bem desenvolvido, de um vilão glutão e patético, apesar de implacável e charmosérrimo, com o intuito de transformar a humanidade em gado, o fandom tem mais problemas com a sétima temporada do que com a sexta. Por que? Castiel teve menos função ainda. Mas tinha que ficar lá, por pressão do fandom. Na oitava e na nona não foi muito diferente, porque os plots que o envolvem sem os Winchester são pouco ou nada interessantes. A gente vê muita reclamação, mas pare e pense: demos graças aos deuses por Gadreel e Metatron. O que seria do plot dos anjos sem eles?
Como disse minha cara Polly, é muito anjo pra pouco Winchester. Tirem suas asas da frente, que eu quero ver a minha série favorita.

Eu quero ver como Sam vai reagir ao que Dean virou. Quero ver se Sam vai abrir a boca, como deveria, e apontar para Dean “olha onde o seu amiguinho Crowley te levou!”. Jared tem pela frente um prato cheio para qualquer ator, que é reagir a um enredo que não é dele — lembram de Dean quando Sam estava viciado em sangue de demônio? Pois é, não é à toa que a a quarta temporada é a minha favorita. Misha disse que está meio perplexo com o que vem por aí para Castiel. De novo, confio que Carver vai desatar as mãos e vai dar a Cas o que Misha merece, e ele vai ter o que fazer de novo. A essa altura do campeonato, eu não faço a menor ideia do que seja, mas sei que será ligado a Sam, porque taí Jensen na JibCon que não me deixa mentir, quando diz que nos estúdios está todo mundo farto da palavrinha que começa com Des e termina com tiel. “Acho que a amizade entre Dean e Castiel está sendo vista como algo que não é, porque certamente não é como Misha e eu os interpretamos.”

Quero ver mais momentos como a morte de Dean, em que Jared e Jensen dizem milhões com um olhar. Quero ouvir mais falas como “Eu tenho orgulho de nós”. Quero ver a estética linda que teve essa temporada (bela cena de Dean e Meta naquela meia-luz, pareciam iluminados por uma fogueira. Linda mesmo). Quero ver mais vezes um olhar cheio de significado como o de Castiel quando descobre que Dean está morto, porque ser o anjo da guarda de alguém, fazer tudo para mantê-lo vivo por conhecer sua importância para a história da humanidade e sabê-lo morto por um imbecil como Metatron deve ser o inferno.
Décima temporada, se você chegasse amanhã não viria cedo o bastante!