“Ah, essa é boa. O cara que nos fez uma lavagem cerebral para desperdiçarmos nossas vidas lutando a batalha perdida dele.” – Dean

Por mais que eu concorde com quem diz que era o demônio falando, especialmente quando põe a culpa em Sam pela morte de Mary pela enésima vez, a frase acima me fez gritar “aleluia” no meio do episódio. Essa parte eu espero que os irmãos guardem.
Aqui, a maioria dos hunters ligados nas caçadas, que querem episódios assustadores, armas em ação e Winchesters sangrando, esses adoram John. Pra eles, o cara é o melhor caçador que Supernatural já viu. Para quem, como eu, gosta do desenrolar da dinâmica dos dois irmãos e, se eles fossem advogados ou contadores a série poderia ser tão boa quanto, John está todinho descrito na frase que abre o texto. E espero que os irmãos guardem a informação importante de que ambos já expressaram esse julgamento das atitudes do pai. Isso é papo para um longo debate sobre uma única fala, mas o episódio desta terça, “Soul Survivor”, teve trocentas delas. Graças a CHUCK!

Demon Dean, Demon Dean… Por que uma vida tão curta?
Eu acho que se o irmão mais velho continuasse como um demônio, logo perderia o charme, porque havia pouco mais a ser mostrado sobre ele, mas quem se cansaria? Eu assistiria essa versão de Dean lendo a lista telefônica. Mas com aquela voz e aquele cabelo. Ah, o cabelo…
Bora falar sério.
Cheguei a ler por aí que “Soul Survivor” foi o episódio mais “sem graça” dos três até agora (desculpe o trocadilho, Cas!) Hã? Eu estou em dúvida se vibrei mais com o 10×2 (”Reichenbach”, que perfeição! Fandoms colidindo com tanta força dentro de mim que poderiam criar diamantes, além dos feels) ou com o 10×3. Os irmãos se encontraram! Finalmente vimos a cena SENSACIONAL que mostraram na SDCC, e aquilo foi só uma palhinha tão pequena que hoje parece insuficiente. Jensen diretor!! Crowley finalmente colhendo os frutos de uma ditadura patética no inferno, sem pulso e sem motivo [mas Vicki, isso dá a impressão de que vc saberia como governar o inferno, é isso?]. Castiel tem um enredo, afinal! E uma amostra para degustar no final, com sabor misterioso.
Hannah está se apaixonando “humanamente” por Castiel. OOOOOOOOHHHH! Jura? Não diga! Quem não viu essa chegando? Foi bom ver um pouco de enredo desse lado da montanha-russa, no entanto. Castiel agora tem Hannah se humanizando, algo com o que ele vai ter que lidar cedo ou tarde, já que o amor dela não faz parte do amor angelical. Como se não bastasse, Crowley mata Adina para dar sua Graça a Cas e deixa claro: “Você me deve uma.” Hannah viu tudo. É, o plot esquentou mesmo. Há algumas boas possibilidades deste lado do enredo (e parece que os lados se fundiram, finalmente, o que é bom), mas também algumas tão bobas que eu pagaria promessa para não ver na tela da minha série preferida. A desaprovação de Hannah por Sam e Dean pode render ótimos momentos, mas pode cair num jogo de julgamentos e “quem é melhor que quem” bastante chato. Mas a parceria forçada por Crowley com Castiel certamente promete.

Imagine como a coisa deve estar ruim, se um demônio se recusa a viver no inferno como está? Isso é o que eu chamo de fundo do poço. Enquanto o rapaz queimava, eu não consegui não rir. Sinto muito, mas a implicação disso é hilária. Vai haver uma rebelião no inferno, porque os demônios exigem melhores condições de trabalho, enquanto Crowley achava que bastava sentar no trono e se autodenominar Rei para que todos simplesmente se dobrassem. Ao mesmo tempo em que o carinha lembrou bem todos os deslizes do chefão, outro se oferece para tomar o lugar de Dean. O inferno é a terra da fofoca. Estavam todos julgando o patrão.
[Curti saber, durante os tweets ao vivo dos J2M2, que o filho de Mark Sheppard, Max, e o cunhado de Jensen, Gino Graul, fizeram figuração nessa cena]

Ao mesmo tempo em que Jensen optou pelas tomadas simples, para deixar o diálogo entre Sam e Dean fluir por si, em algumas cenas o movimento de câmera fez a diferença. Ter criatividade para comandar as câmeras num episódio em que um dos focos passa 80% do tempo sentado não é tão fácil quanto parece. O que me leva À CENA.
Vemos Sam de volta a uma tarefa que já teve que cumprir, não sem dificuldade. Agora acrescentemos a isso o peso de ali sentado ser não um demônio qualquer, mas seu irmão. O irmão que ele já viu morrer tantas vezes das piores formas, que já teve que decidir deixar partir, que já teve que decidir ficar afastado para o bem dos dois, desta vez tomado pela força que mais abomina e usando pensamentos e sentimentos de Dean para torturá-lo. E com a vida em suas mãos.
O demônio Dean sabe ser sádico, sabe bem como atingir Sam com golpes baixos, não precisa usar as mãos para ferir o irmão. Como ele mesmo disse no final do 10×2, o que ele fez com Cole foi uma bobagem perto do que Sam está enfrentando. Sam se sente forçado a apressar Castiel, porque pode estar perdendo Dean. É visível o quanto Dean sofre, diferentemente de Crowley, que usava a dor com ironia. O telefonema de Sam para Cas mostrou como em nenhuma outra cena o desespero do caçula, em uma das muitas vezes em que os dois perdem a voz no meio de uma fala “…matar meu irmão.” [Eu não to chorando]
Dean consegue fugir e o espectador praticamente ouve Jensen respirar fundo, estalar os dedos e gritar “JARED! Tá na hora de arrasar!”
A perseguição no Bunker foi uma das melhores sequências de todos os tempos em Supernatural. Aquele cenário maravilhoso, aliado à iluminação e à carga emocional que os dois atores demonstravam, trouxe um nível de suspense (claramente proposital) digno da cena clássica de “O Iluminado”. Dean gosta do que se tornou. Como Jensen mesmo disse algumas vezes, Deanmon é Dean sem a menor preocupação. Mesmo sendo o herói que é, deve ser interessante poder ser você sem os perrengues. Quem não gostaria? Você, mas sem os seus problemas, sem carga alguma, sem responsabilidades. Até eu.
Destaque especial para dois momentos:
-Dean escolhe um martelo em vez de uma lâmina para perseguir Sam: isso já daria um texto desse tamanho. Eu discutiria o caráter “um martelo pode machucar paca, mas é mais difícil de matar do que uma faca ou cutelo” por horas. Um martelo normal, sem frescura, ferramenta tão cotidiana, chega a ser um instrumento de certa piedade. Se Dean não tivesse um fundinho de Winchester ali dentro, teria escolhido uma lâmina e acabaria com Sam na primeira chance, mas não. O martelo iria parar no joelho, no ombro ferido ou até no crânio, mas machuca muito antes de matar bem morto. É preciso ter uma habilidade bastante específica para saber exatamente onde bater para matar com um golpe só. Deanmon não é tão sutil. E foi aí que Jensen e os roteiristas encontraram a sutileza na cena.
A cura (?): a mudança foi encantadora. O efeito nos olhos nem seria necessário, porque Dean era outro quando eles voltaram a ter o verde de sempre. O alívio de Cas e Sam foi enternecedor, mas estaria Dean curado mesmo? Deixem suas apostas nos comentários.
Por último, RUIVAS!!! Ai, e dane-se que vamos ver mais uma ruiva como inimigo. Quem começou com esse papo não sabe do que uma ruiva é capaz. Brincadeiras de lado, tudo leva a crer que ela é ligada ao passado de Crowley e minha aposta é “escocesa+bruxa”. Como queriam que ela não fosse ruiva??? O plot esquenta. E não, eu não acho que é Abaddon de volta em outro corpo, como meio Tumblr tem sugerido.

O diálogo da noite:
Castiel: Vcs são irmãos. É preciso mais que vc tentar matar Sam com um martelo para ele querer fugir.
Dean: Nossas vidas estão tão deformadas que essa frase até faz sentido.

E estamos apenas no 10×3! CARRY ON!