Mais uma temporada, mais uma vez o desafio de escrever as Análises Hunter.

Muita saudade da minha série favorita e um certo gostinho de “poderia ter sido melhor” ali no fundinho da garganta.
Melhor começar pelo que não gostei. Desculpem mesmo, aqueles que só assistem a série por causa de Castiel. Eu amo o Misha, o talento e a cultura dele. Amo o ator. De verdade. Com a força de mil fangirls. Já gostei muito do Cas, porque ele já teve extremo valor para a série. Quando ele entrou, deu ainda mais brilho para a minha amada SPN, até porque entrou na minha temporada favorita. Mas hoje ele é um alívio cômico. Castiel e Misha merecem mais do que isso. Me dói imensamente falar mal de um personagem que adoro e por defeito em Supernatural, mas Castiel já se esgotou. Já deu. Não há mais o que fazer com ele. Os roteiristas sabem que parte do fandom larga a série hoje e onde estiver se ele morrer ou deixar o show, mas ou criam uma história que preste pro anjão ou tiram Cas da série e assumem o risco, porque como está… Ou alguém gostou do enredo requentado apresentado em “Black”? Quando eu vi Hannah de novo, já sabia que aí vinha caca. Não deu outra. Gostei apenas do discurso do Daniel, sobre anjos atraídos pela liberdade dos humanos. Concordo com isso desde Lúcifer. Não me conformo que eles tenham sido submetidos a adorar uma obra tão falha quanto nós, quando eles tinham um Paraíso. Literalmente. Então o quê? O que Cas foi um dia, CDF até o último fim de cabelo, e depois Anna e Uriel, agora é Hannah que encarna a caxias e Castiel abriu os olhos e viu a luz? Agora é ele quem vai ver que ser inflexível não leva a nada? Ainda dá tempo de salvar o dia, porque foi só o primeiro episódio, mas pelo amor de todos os deuses, deem um enredo pro Cas!
O episódio pareceu uma montanha-russa, já que de um lado tínhamos o marasmo da falta de plot pro Cas e o sensacional plot de Deanmon como melhor amigo de Crowley e Sam procurando o irmão como muitos queriam que já tivesse rolado desde o Purgatório. (A fala mais fantástica do ep, a propósito: “Sam, vc demorou. Dean e eu ficamos nos perguntando se vc tinha atropelado outro cachorro.”)
Jensen Ackles… Ah, Jensen Ackles. Jensen tira leite de pedra várias vezes em Supernatural, já desde os primeiros episódios. Então não é de se admirar que, quando ganha um presentão desse como Dean transformado em demônio, o cara deite e role. Jensen não tem oportunidade de interpretar Dean com tanta liberdade há muitas temporadas e o tempero extra de ser um demônio trouxe uma chance que ele só teve naquele minutinho em “Dream a Little Dream of Me”. Sua escolha, como deixou bem claro desde a ComicCon, foi despir Dean de qualquer preocupação que ele tinha antes. Dean era um poço de culpa, uma carga sem fim de miséria e angústia. Fora a preocupação com Sam, já que ele sempre foi irmão, pai e mãe do caçula. Eu amo isso nele e aí vê-lo sem um traço dessa característica tão forte foi chocante e fascinante. Vida longa a Deanmon! Pra mim, ainda tem Dean lá dentro, o Dean que tantos amamos. Ele quase mata o cara para vingar a mocinha de quem tava a fim. Reage quando ouve Crowley dizer que falou com Sam e, apesar de ter desprezado o sequestro do irmão, já avisou que vai matar Cole. Ainda tem Winchester lá dentro.
A dinâmica de “Crowley e Esquilo” foi um espetáculo à parte. Crowley merece ser amado, afinal. O resquício de humanidade (nem venha me dizer que não há mais humanidade em vc, Rei do Inferno!) pede um amigão. Crowley sempre invejou a relação de Sam e Dean e a dos dois com Cas. Ver esse episódio depois da chuva de elogios que Mark Sheppard fez à série só deixou tudo mais prazeroso. Esse BAITA ator gosta do que faz. Isso já vale metade do show. Também, cada fala dele é um presente! Os roteiristas amam escrever pra Sheppard, tá na cara. Eu gosto muito dos irmãos caçando juntos, papeando no Impala, vendo estrelas enquanto bebem cerveja, mas compreendo que tudo o que é bom vale a pena esperar. Eu vou curtir muito se Dean e Crowley mantiverem por mais um tempo essa parceria. Até porque isso faz Sam dar mais valor ainda ao irmão.
O que nos leva ao irmão menor (força de expressão!!! Eu já presenciei de perto o poder da altura desse homem!!). Eu não faço parte do time que malha o Sam por essa ou aquela atitude. Para mim, a gênese do personagem tá toda lá e ele nunca deixou de condizer com ela. Mas algo mudou depois que Dean voltou do Purgatório e isso ficou claro. É evidente que muitos podem assumir que os roteiristas deram uma colher de chá pra Sam se “desculpar” por não ter ido atrás de Dean e parar por aí. Eu, que estou de boa com as atitudes dos dois, porque não defendo o que quero que aconteça e sim a verdade do personagem, escolho pensar que Sam dessa vez tem como descobrir onde o corpo do irmão está, ao menos, nem que for para exorcizar o demônio que o possui e queimar o corpo de Dean em paz. E finalmente dar um fim pra essa existência sofrida.
Só que não!! Ele descobre que Dean não só está vivo, como dentro daquele corpinho irrepreensível só habita o próprio Dean. É bem verdade que Crowley tem uma baita parcela de razão quando questiona os motivos de Sam. E ISSO É LINDO! Não que Sam tenha ciuminho do Rei. Para mim só fica mais transparente que ele compreendeu o que o mantém ao lado do irmão. O tamanho da missão que os dois têm aqui: a dele, como um ser sem dúvida precioso para a humanidade e por isso tão importante para Céu e Terra, e a missão de Dean, que é proteger o menino dourado, daí ter sido “a espada de Miguel”. Isso pode até ter sido encerrado com o fim da quinta temporada, mas pra mim, o “dia seguinte” segue tão interessante quanto. Fora a parte em que os anjos podem voltar pro céu e trancar a porta pelo lado de dentro, claro. Por mim, beleza. Isso eu passo.
Só que não, parte 2!! De seu passado doído, salvando pessoas, caçando coisas, cumprindo o negócio da família, Dean e Sam aparentemente deixaram um rastro de sedentos por vingança, Cole entre eles. Gosto desse plot tb. Acho até que poderiam aparecer mais pessoas como Cole, porque isso daria aos criadores meios de valorizar o que esses dois têm feito pela gente, sem que ninguém dê méritos a aqueles dois gatos que passam pela cidade num carrão tão lindo quanto eles e nos livrando do apocalipse. Como talvez a morte necessária de um salve o todo. Não que a humanidade esteja merecendo salvação, na minha humilde opinião. Por mim, a régua já teria sido passada faz tempo.
Não posso deixar de comentar a expressão de Sam quando Crowley diz que Dean está curtindo a vida ao lado dele, dizendo logo depois que vai trazer o irmão de volta ou morrer tentando. Jared, Jared, Jared… Lindo. Já no 10×1 trazendo um de seus melhores momentos? Gostei! Quero um por episódio, tá?
Apesar do clichê “teve altos e baixos” ser uma definição perfeita para “Black”, eu gostei bastante do que vi. Especialmente porque vi elenco e produção que amam o que fazem e são gratos pela resposta que recebem de nós, seja ela um efusivo aplauso ou um puxão de orelha. Taí o twitter que não me deixa mentir.
Ah, não posso esquecer! Amei o title card (a arte em que aparece escrito “SUPERNATURAL”)!!! O pentagrama voltou!!! E eu tenho um tatuado no ombro!!! A questão dele estar invertido e isso ter a ver com demônios é história comprida e uma papagaiada sem fim, nada a ver. Mas que tá lindo, tá!

CARRY ON!!