Depois de meses não existe nada melhor do que ver “The Road So Far” na abertura de Supernatural. Bate aquele ‘nervoso’, aquela ansiedade e aquela emoção que só quem é ‘hunter’ sabe. E foi exatamente assim, com a recapitulação e a música, por sinal, muito bem escolhida.

E em seguida temos o que sempre tivemos em Supernatural: demônios e Winchesters. Seja Sam, seja Dean. Comecemos com Sam.

Sam ‘interrogando’ a ‘demônia’ porque ele queria Crowley, de algum modo ele sabia que Crowley estava com Dean. O desespero de Sam e a raiva dele por não saber de Dean deixaram o nosso Winchester caçula furioso. Além de furioso, ele estava sofrendo com o sumiço e o paradeiro do irmão. Parabéns a Jared Padalecki que soube mostrar todas essas emoções sem dizer muito. Não há como negar a evolução dele como ator e o domínio que ele tem de Sam. Posso não ser a maior fã das atitudes do Winchester caçula, mas Sam é o que é, e pronto. Ponto para Jared.

Sam estava fazendo o que ele sabe fazer: trilhar pistas. O primeiro pensamento dele, lógico seria de possessão demoníaca, e por isso ele queria Crowley, porque Sam chegou à conclusão que o Rei do Inferno de algum modo possuiu o corpo de Dean. E ele o queria de volta. Ele estava buscando ajuda em todos os lados, inclusive de Castiel, que como pudemos perceber não estava nada bem, e isso é fisicamente falando. Entretanto não irei falar de Castiel agora, vou deixar para falar dele no final da análise.

Existem momentos ao longo dos episódios de Supernatural que traz emoções tão fortes com cenas de apenas cinco segundos no máximo. Não precisa de diálogos impactantes, de cenas explícitas e nem de ações estrondosas. Basta apenas um olhar, um gesto, um som. E foi assim comigo quando Sam entra no quarto de Dean e pega o bilhete. O “Sammy Let Me Go”, foi algo que eu tive que pausar e respirar fundo e engolir o choro. Me veio toda a nona temporada, tudo que Dean atravessou, tudo que Sam colocou em pratos limpos, todos os momentos tão dolorosos para mim ( para eles também) ao longo da temporada anterior. Confesso, o primeiro pensamento foi: “Toma Sam, não é isso que você disse que faria? Não é isso que você deixou claro? Que respeitaria os desejos de Dean, ao contrário do Dean sempre fez? Que a desculpa de ‘somos família’ não poderia ser usada para todos os atos? Então, moleque, deixe-o ir. Vá viver sua vida, sem o pentelho mandão de irmão mais velho que você tem. Pimenta no c* dos outros é refresco né Samuel Winchester’. Sim, esse foi meu primeiro pensamento, foi minha primeira atitude. Julguem-me. Mas sabe o que me derrubou? O “Sammy” daquele bilhete. De algum modo aquele “Sammy” era ainda algum sinal de carinho, algo que ainda os prendia e acho que no fundo Sam também pensou o mesmo. Pensou algo “Como deixá-lo ir? Pra onde? Por que? O que fizeram com meu irmão? E o que ele me falou sobre não querer ser um escravo da marca? O que está acontecendo?”. Então eu faço outra confissão: adorei ver que Sam, não o ‘deixou ir’ a porra de lugar nenhum. Esse é o Sam que eu amo, e Jared também pelo que ele falou numa convenção. Esse é o Sam que eu admiro. O Sam que não desiste de sua única família, de seu irmão, da pessoa que literalmente já deu a vida por ele. Esse é o Sam que eu quero ver em cena. Lutando por ele mesmo, por Dean e por tudo que eles estão aí pra fazer. Lutando e brigando pela família que eles são. Mesmo que cheio de dúvidas, de incertezas, de certo modo, até receoso do que pode encontrar. Mas ele não vai desistir de seu irmão. E acho que quando Sam está conversando com Castiel no telefone sobre Dean ter tido ou não escolha, sobre se ele ainda é remotamente Dean, ele soube que talvez ele tenha sido muito duro com Dean. Não sei. Algo me diz que Sam possa ter o bichinho do arrependimento e da incerteza começando a incomodá-lo. Vamos esperar pra ver.

Continuando com Sam, ele se mostra cada vez mais decidido a achar Dean e trazê-lo de volta. Para que, eu acho que nem Sam ainda sabe ao certo. Ele só sabe que precisa tirar Dean de perto de Crowley. Porque a revelação de Crowley que Dean não está morto, dá uma balançada geral. Que Dean está vivo e o que o mantém assim é a Marca de Caim. A mesma Marca que Dean disse que o estava transformando em algo que ele não queria ser. Então Sam está realmente numa sinuca de bico. Mas gosto que o foco dele agora é trazer Dean para perto dele, para então ver o que está acontecendo e como agir daqui pra frente. É isso que irmãos fazem. Brigam pelo outro e quer ver o outro bem. E quando as coisas apertam, você não usa apenas de racionalidade, você age muitas vezes pelo instinto, e o instinto de Sam agora é recuperar Dean. Nos resta esperar pra ver o que acontece daqui pra frente.

Agora  Dean…. Bom, como falar de Dean sem falar de Jensen? Como não perceber que Jensen Ackles faz o que bem entende com Dean? Como não amar cada gesto, olhar, fala e movimento do ator Jensen Ackles e, claro por consequência, Dean Winchester? Jensen disse numa convenção que quando ele pensou nesse novo Dean, nesse DemonDean ele se lembrou de Kim Manners dizendo a ele para fazer algo que as pessoas esperam mas de um jeito inesperado e novo. Paradoxal né? Mas então. Jensen fez isso com esse novo Dean. Conseguimos ver ainda o velho Dean em quase tudo, mas ao mesmo tempo é um Dean novo, um Dean mais solto, mais livre, mais descuidado, que chegaria a ser perverso se nós não soubéssemos tudo que ele passou; tudo que ele carrega dentro de si. Jensen disse que o novo Dean seria alguém que “não se importa. E existe algo pior do que não se importar?”. Essas são palavras do próprio Jensen, e depois de ver esse novo Dean por quarenta minutos, eu entendi perfeitamente o que Jensen quis dizer. Dean está literalmente ligado no botão “Foda-se tudo e todos”.  Como Crowley bem disse, um pouco distorcido, um pouco além de reconhecimento, mas ainda ele está lá. Ele é totalmente Dean. Talvez essa possibilidade de ser ‘endemoniado’ liberou o que há de mais profundo em Dean, o que ele lutou a vida toda para vencer, talvez por medo, talvez por vergonha, ou talvez porque ele foi ensinado a não ter vontade própria. Essa marca e tudo que vem com ela, liberou a vontade de ser livre, de curtir a vida, de transar com todas as mulheres pelo caminho, de mandar a responsabilidade às favas; liberou nele o desejo de pelo menos uma vez na vida, não obedecer, não fazer o que os outros esperam dele, não ser responsável por nada e nem por ninguém. Quem pode julgar Dean por querer essa “liberdade”? Mas ao mesmo tempo isso vai contra tudo o que é essencialmente Dean. O nosso Dean. O Dean que coloca os outros acima dele mesmo. O Dean que tem uma força, uma lealdade, uma bravura, um amor incondicional por Sam que faz com que ele seja tão amado, tão admirado, tão ele. Tão Dean. Então acho que o mérito desse episódio (e isso se deve exclusivamente à Jensen Ackles, que entendeu de forma magistral o que Carver quis passar e foi lá e fez) é nos fazer perguntar: esse é Dean mesmo? Ele está consciente do que faz? Ele quer mesmo isso? O que vai ser de agora em diante?

Parabéns Jensen Ackles por tamanho brilhantismo. Na cena dele com a garçonete do bar, depois da bebedeira, eu quis dar um soco na cara dele por ser tão cafajeste, tão baixo nível, tão chauvinista. Mas daí veio aquela dúvida de: “Não, esse não é Dean. Ou até é, é ele? Mas ele não está fazendo isso de forma ‘consciente’. Ele NÃO pode ser tão perverso e baixo assim”. Sim, eu passei o episódio todo nessa constante batalha. E ficou claro para mim que ele não quer se juntar a Crowley nas coisas infernais, ele apenas quer as coisas mundanas que ele agora se permite ter. Como isso tudo funciona cabe aos roteiristas nos explicar daqui pra frente. Vamos esperar. Dean não me parece interessado em ‘tomar o inferno e caminhar junto com o Rei’. Em nenhum momento ele me passou a impressão de entrar na onda do Crowley. Agora qual é a do Dean mesmo, eu não sei e estou me coçando para descobrir.

Está óbvio que ele é importante para Crowley. Dean tem algo que o inferno admira: liderança, bravura e coragem. E ele sabe ser implacável quando necessário. Com ou sem Marca ele sempre foi assim. Imagina agora com uma Marca que libera todas as amarras, todo o pudor, toda consciência, toda moral? Ele se torna quase imbatível, não vai ter pra ninguém. E Crowley sabe disso também, acho que é por isso que ele tem essa ânsia de ter Dean ao seu lado.

Por outro lado, o ponto fraco de Dean sempre foi Sam. Por Sam, Dean venceu e venceria todos os obstáculos, Dean faria de tudo, acho que, até renegar sua alma demoníaca. Então eu acho que esse é o teste final de Crowley para Dean. Ver como Dean se comporta junto de Sam. Ou talvez Crowley queira usar toda raiva engarrafada em Dean em relação a Sam e com isso alimentar, saciar mais a Marca, que todos nós sabemos deixa Dean sedento para matar. Mas por outro lado vem a questão de não se importar. Dean não se importa mais. E então? Realmente muitas questões atravessando agora minha mente.

Basta compararmos a cena final deste episódio com tudo que já vimos até aqui sobre Dean. Quando é que ele deixaria alguém ameaçar Sam e ele ser tão frio e calmo? Por outro lado eu penso: será que não é uma jogada de Dean para que todos parem de usar Sam?.. Viu? Eu avisei que eu passei o episódio inteiro em dúvida.

Falemos de Cole. Poucas cenas, mas cenas marcantes. Ele tem família. Um filho. A mulher, não ficou claro se é esposa. Mas que está envolvida com toda a história dele e de Dean, está. Sou uma Deangirl (dãããã), mas adoro quando personagens entram para balançar o mundo dos Winchesters. Principalmente o mundo de Dean. Estou muito curiosa e ansiosa para saber que longa história é essa entre Dean e Cole. Se vou gostar, é outro papo. Mas fiquei intrigada e curiosa. Porque ficou claro que nosso Winchester mais velho tem mais segredos do que nós e Sam sabemos. E parece que são segredos muito sujos. Veremos o que vem a seguir.

Crowley. Meu demônio preferido. Ele tirou o posto de Alastair como meu preferido há várias temporadas. Crowley é sarcástico, divertido, irônico, estrategista, frio, calculista, perverso e muito malvado quando quer ser. As maldades dele são mais ligadas ao psicológico do que ao físico, e eu admiro isso num vilão. Por isso eu o adoro. Ele joga sujo, ele joga baixo e sabe dar um soco no meio das ventas que te tiram do centro, apenas com palavras. Vide o que falou com Sam sobre Dean e ele acharem que Sam tinha encontrado outro cachorro. Ou todos esqueceram que Dean (e metade do fandom) meio que não perdoa Sam por ter ‘largado Dean a Deus dará no purgatório’ e ir viver com a descabelada (leia-se Amélia)?. Crowley chuta as bolas. E chuta com gosto. E ele faz o mesmo com Dean quando usa toda a dedicação do mais velho com o caçula para forçá-lo a sair da zona de conforto que ele se meteu e da qual ele não quer sair. Crowley sabe que Sam é a única coisa que pode fazer Dean deixar de ser teimoso. E ele usa isso. Com cuidado, muito calculadamente, mas usa. Crowley ama jogar, tem sempre uma carta na manga, e eu AMO ver isso. Sem contar que a química entre Sheppard e Jensen é nada mais, nada menos que FANTÁSTICA. E Crowley está cutucando onça com vara curta. Ele que não tente acuar Dean. A coisa pode ficar feia. E vou adorar ver isso!

E por último Castiel. Antes que me xinguem, me batam, façam vodu ou algo do tipo deixa eu  avisar uma coisa: eu adorei a entrada de Castiel em Supernatural. Acho que ele deu um baita gás na série, e o episódio que ele entra na série, Lazarus Rising entra nos meu top 10. Mas sinceramente, estou desapontada com que fizerem com Cas após a quinta temporada. Castiel só está na série porque ele tem uma legião de fãs que fazem muito barulho, e não aceita de jeito nenhum que ele não seja parte do núcleo central da série, que por sinal são os Winchesters. Sim, Cas tem uma ligação forte com os meninos, Cas tem uma storyline importantíssima junto aos Winchesters, Cas é um baita personagem. Sei de tudo isso, mas sinceramente a presença dele na série já está desgastada. Eu adoro Misha e acho que ele merecia algo mais. Admiro Carver pelo que vem fazendo com personagem, tentando dar uma história distinta a ele ao mesmo com certa ligação com os Winchesters, mas isso para mim soa tão forçado, mas tão forçado que eu me canso. Sinceramente o que menos gostei em Black foram as cenas de Castiel. Talvez eu mude de ideia, talvez eu esteja sendo chata, mas eu realmente não curti. E me desculpe se ofendo, mas uma das melhores coisas em Castiel era a afinidade, ligação mais próxima com Dean. Isso era perfeitamente compreensível em virtude do que ele e Dean encararam. Mas isso foi quebrado aos poucos. Não existe mais toda aquela proximidade, todo aquele carinho explícito. E o que me deixa mais puta é isso foi feito por causa de meia dúzia de loucos no fandom que cismou que Dean e Castiel era canon, e pior, outros doidos começaram a ver coisas que não existe ente eles. Levaram o amor fraternal entre eles, para outros níveis. E não que eu seja puritana, nem nada disso, mas tentar enfiar goela abaixo dos outros o que você enxerga como canon, é intolerável. Deu no que deu. E como Cas arrebanhou muito fãs, os chefes não conseguiram tirá-lo do seriado, e por causa dos doidos, tampouco podiam manter a mesma linha de relacionamento com Dean. Foi quebrada a magia do personagem. Triste o que sobrou de Castiel. E antes que venham me dizer que ele e Dean ainda são próximos por causa de um “I miss him”, eu rebato: eles sempre serão, mas não do mesmo modo que amamos um dia ver. Então gente, me desculpe se estou achando essa storyline do Castiel meio cansativa no momento e não me liguei muito nela. Mais a frente quem sabe eu possa rever minha posição? Esperemos.

E para finalizar digo que gostei do episódio. Gostei mesmo. Gostei principalmente porque não me respondeu nada, muito pelo contrário, me deixou cheia de dúvidas sobre o futuro de cada personagem no seriado. E é isso que eu amo numa première: que ela nos leve a imaginar, a desejar, a esperarmos ansiosos os próximos episódios. Um abraço e até a próxima!

 

Algumas considerações….

– Gente o que é Dean na cama com mulher??? Pelamor cara!! Depois de meses sem ver aquela lindura, ele me faz isso???

– Amo o cabelo de Jensen mais comprido. Acho que dá um ar mais leve e jovial a ele. E isso coube como uma luva nesse novo Dean.

– Eu não importaria em ouvir Dean cantar desafinado “I’m too sexy for my love” requebrando pra mim!

– Pronto. Sam chamou Dean de monstro. Pimba! Vou me abster de comentar, porque o que penso me basta.

– Jared anda magro demais pro meu gosto. Gosto de homem com mais ‘carne’. Não que ele esteja de jogar fora né? Rsrsrs.