“Em mais de mil casos eu jamais usei meus poderes do lado errado”.

A frase acima é uma citação do conto de Sherlock Holmes, O problema final no qual o personagem após uma briga épica com seu arque inimigo Moriarty “morre” justamente com este ao cair nas Cataratas de Reichenbach, na Suíça.

Desde que descobri o nome do episódio tive um pequeno surto fangirlístico, pois sou muitíssimo fã dos livros, filmes e séries baseadas nos contos de Conan Doyle, então estava ansiosa para saber se haveria alguma referência à série no episódio. E não me decepcionei!

Todo o episódio foi incrível e se pensarmos bem, Sam estava atrás mesmo de resolver o problema final, que é salvar seu irmão de ser o vilão ao invés do herói. E vemos a cada olhar de Dean que sua “queda” está próxima.

Acredito que Dean saiba muito bem do que é capaz e todo esse tempo se segurou de alguma forma para não se tornar um verdadeiro monstro. Ainda que ele tenha poderes, na hora certa ele não os usou da forma como lhe foi pedida, o fato dele não ter matado a esposa do cara machista, e ainda tê-lo matado, mostra que de alguma forma ele ainda carrega em si um senso de justiça.

Crowley pensou que poderia de alguma forma mandar em Dean. Fazer dele seu subordinado. Fazendo outro paralelo com Sherlock, já que o nome do episódio sugere que há referências, pra mim é como se Crowley fosse Moriarty, o vilão, e Dean fosse Sherlock, o anti-herói. Os dois têm muito em comum, mas não são iguais e nunca estarão do mesmo lado. E rola certo afeto entre eles. Eu acredito que todo vilão de certa forma ama seu inimigo, a cena em que Crowley olha a foto dele e Dean no celular e a maneira como trata Sam pode indicar um pouco isso.

Outro paralelo de vilão que encontramos foi com Cole. Ele me lembrou um pouco John Winchester e sua obsessão por vingança. O fato de ele querer matar Dean a qualquer custo e ter treinado a vida toda pra isso me dá um pouco de dó dele. No primeiro episódio eu pensei que ele fosse um caçador de coisas sobrenaturais, mas na verdade os únicos monstros que ele conhece são os humanos. O que pra mim é muito pior. E pior ainda é o fato de que agora ele pensa que o demônio Dean matou seu pai, quando na verdade, provavelmente, o pai dele é quem estava possuído ou transformado em monstro. Vamos ver até onde ele será capaz de ir.

Não sei se foi proposital, mas a cena em que Cole vai dar uma martelada no joelho de Sam e seu celular toca uma música super cafona me fez lembrar uma cena da série Sherlock em que Moriarty está prestes a mandar todos pelos ares e de repente seu celular toca e ouvimos Staying alive dos Bee Gees. Salvo pelo gongo.

Uma das sequências mais maravilhosas de luta que já vi na série foi entre Cole e Dean. Foi perfeita, porque vemos que Dean é imbatível, sarcástico e maldoso (e atraente) tudo na mesma cena. Quando ele confessa pra Sam que não matou Cole naquele momento não por piedade, mas por puro sadismo, me fez sentir medo dele. A falta de piedade e empatia são o que transformam alguém em um monstro. E agora Cole estará com muito mais ódio e provavelmente só encontrará Dean quando este estiver em seu estado normal. Será interessante ver esse reencontro.

Ainda estou com um pé atrás com todo o plot dos anjos. Acho que o fato de dividir a história deles com as do Winchesters e demônios tira o ritmo do episódio ou talvez eu tenha pegado um pouco de birra mesmo! Mas fazendo o paralelo com todo o episódio, Metatron tem um quê de Moriarty também. O vilão que usa o intelecto e a persuasão pra vencer. E que matou, só que não, o mocinho. Ele sabe como ajudar Cas, mas não vai fazê-lo, mesmo que isso custe sua liberdade e sanidade,se é que tem alguma.Acho que é louco mesmo! Assim como Moriarty também é. A queda de Castiel é muito mais simbólica do que a de qualquer outro anjo. Hannah está tentando ajuda-lo, ainda não entendi muito bem essa personagem, mas sinto que pra esse plot ela será crucial.

Achei um pouco surreal que a moça do guincho tenha dado abrigo na casa dela, talvez seja minha neurose por morar em cidade grande. Mas pelo menos tivemos uma cena fofa entre Cas e a garotinha.

Outra coisa que me pergunto é se Cas está morrendo por conta da graça roubada, não é mais fácil ele remover o que resta dessa graça e ficar humano e saudável? Ou será que não é possível? Eu acho que seria uma solução eficiente.

A cena final entre Sam e Dean foi de arrepiar. Alías, todas as cenas entre os dois foram maravilhosas. Vemos nos olhares deles tudo o que os personagens têm a dizer. Todo o sofrimento e dor de Sam, e todo o desdém de Dean. Gostei de ver que mesmo com a asa quebrada, Sam ainda é um caçador esperto e jogou agua benta no irmão e prende-o com a algema de símbolos. Dean pode ser demônio, mas Sam aprendeu com ele como prender um, pelo menos por enquanto.

Quando Dean diz que Baby, o impala, é apenas um carro, deu pra ouvir o grito de horror de todo o fandom. Ali vemos que Dean não sente carinho por mais nada! Se faltou ele falar que tortas são ruins! Que ACDC é uma banda ruim. Quando ele riu da cara de Sam depois deste ter dito que o levaria pra casa por que ele era seu irmão, senti até saudades do bom e velho Dean que nunca resistiu ao olhar que cachorro abandonado do irmão. Mas não se enganem, estou adorando sentir falta dele, amando toda essa nova faceta do personagem.

Dean disse que o que ele fará com Sam não será nada piedoso. Mais do que ele já tem feito, mesmo de longe e sem querer? O que mais pode ser tão grave que ele poderá fazer, ou dizer?

Os próximos episódios prometem. Mesmo após a cura de Dean, como eles irão lidar com tudo o que aconteceu? O que mudará em Dean? E em Sam? O que Crowley fará com a primeira Espada que “ganhou” em troca de deixar Dean em paz? Será que Sam fez bem? Será que ele teria outra alternativa?

Depois de vermos nossos heróis quebrados, desconstruídos e caindo em queda livre como Sherlock caiu em Reichenbach, teremos então à volta e redenção destes.

Se estou gostando dessa temporada e se gostei deste episódio? Elementar, caros leitores.

PS: A imagem de destaque é a ilustração oficial do livro The Final Problem e mostra a queda de Sherlock Holmes e James Moriarty nas cataratas de Reichenbach.