Depois da tempestade vem a bonança…

E a bonança para os irmãos Winchesters significa caçar lobisomens. Se pensarmos na alternativa, essa é a melhor opção para eles!

Logo no começo do episódio vemos Sam e Dean tomando uma breja a beira de um lago, sentados ao lado de uma placa de proibido caçar (bela sacada) e tendo finalmente merecidas férias. Como disse Dean, “tempo pra nós”. Dean começa zoando Sam por este ter machucado seu ombro depois de tudo o que ele passou na vida, ótimo paralelo com a realidade, já que Jared deslocou o ombro durante uma brincadeira com Osric. E falando em paralelos, esse episódio foi todo montando através deles.

Depois de notar que marasmo e inercia não são sinônimo de relaxamento, Dean pede para Sam procurar um trabalho. E é aí que começam as nuances do episódio, onde notamos o tom que o plot da temporada provavelmente terá daqui pra frente. Sam deixou claro que acha que Dean ainda não está 100% para voltar ao trabalho, e Dean também não tem certeza, tanto que prometeu parar se Sam pedir a ele. Será que Dean é 100% o Dean que conhecemos?

Decisão tomada, eles saem em busca de mais uma caçada, bem ao estilo Old School Supernatural. Tive a sensação de estar assistindo a um episódio da 2ª temporada, e isso me animou, me deu uma sensação de paz. Talvez porque eu precisasse deste episódio tanto quanto os meninos precisavam colocar o pé no freio e respirar. Esse foi o típico episódio do monstro da semana que vem para dar um respiro, um pouco de folego e explicações que provavelmente não serão adereçadas em episódios futuros, de mais ação. É o famoso filler com sentimento, que divide opiniões, há quem goste, há quem odeie. Eu gosto deles, mostra que a série precisa daquele capítulo mais leve.

E leve em Supernatural é quando uma lobisomem se vê em uma situação à la Winchester ao ver que sua irmã se transformou em um monstro. Sam desalmado e Dean demônio são os paralelos aqui. E ela foi a responsável por sua irmã ter se tornado esse monstro, da mesma forma que os irmãos se sentem responsáveis um pelo outro.

“Ela é família, vale a pena levar uma bala por ela”. Os irmãos se entreolharam e se identificaram. É como se através de Kate ouvíssemos os pensamentos e sentimentos dos meninos, porque convenhamos conversar nunca foi o forte deles.

Vemos que os irmãos estão aos poucos voltando a ser irmãos, e isso me agrada muito. Porque apesar de Demon Dean ter durado apenas 3 episódios, desde o meio da 9ª temporada os irmãos estavam separados. O clima entre eles estava pesado e leva tempo para curar esse tipo de ferida. Talvez o fato disso ter sido uma das coisas que me incomodaram na 9ª temporada, os irmãos muito tempo de mimimi um com o outro, tenha feito com que esse episódio me trouxesse alívio. Ufa, os irmãos estão tirando uma com a cara do outro, voltando a ser irmãos, do jeito que Supernatural deve ser, na minha concepção. Talvez eu seja piegas!

A primeira cena deles no carro, tentando conversar me fez pensar em Bobby.  Como ele faz falta na vida deles, um amigo, um pai para ajudar a emendar as coisas, colocar os pingos nos “is”. E isso é um lugar comum em Supernatural, os irmãos sentem, mas não expressam seus sentimentos. Também, depois de tudo o que passaram, é compreensível. Ainda assim eles foram capazes de expor um pouco o que sentiam.

Quando Sam fala pra Dean que carregou o corpo deste até o quarto, me lembrei da 2ª temporada. Imaginei Dean carregando o corpo de Sam depois deste ter sido morto. Agora vemos os irmãos em situações reversas,  até na cena da luta deles com os lobisomens, vemos que mesmo com a asa quebrada, é Sam quem mata os dois e salva Dean, e geralmente o mais velho é o salvador da pátria.

Sam é quem viu seu irmão sob efeito de algo sobrenatural e teve que lidar com isso e não desistir de salva-lo, assim como Kate lutou até o fim para salvar sua irmã. Dean permitiu que um anjo entrasse no corpo do irmão moribundo porque não pôde suportar a perda dele, assim como Kate fez com a irmã em seu leito de morte. As irmãs compartilhavam de pulseiras, jóia que representava o amor fraternal, assim como os irmãos tinham (?) o amuleto de Dean, carinhosamente chamado de Samulet.

A história de Kate é um espelho da história dos irmãos. Só que no final de tudo, ela teve que matar a irmã para salva-la. Será que Sam terá que matar Dean? Ou vice e versa, eventualmente? O irmão que mata o outro para salva-lo… Caim matou Abel por amor ao irmão. Dean ainda tem a marca de Caim e provavelmente os efeitos dela estão apenas adormecidos. Dean sabe e teme, porque ele não quer ser cruel e monstruoso como foi durante seu tempo como demônio. Sam também teme, porque não quer perder o irmão.

Dean disse que cansou de errar, que agora quer fazer a coisa certa. Essa frase caracteriza os irmãos. Errando tentando acertar, errando por amor. Kate matou a irmã, mesmo sendo doloroso, ela tomou a decisão certa. É aí que a história se difere. Será que se for preciso, os irmãos terão coragem de fazer o que é certo, mesmo que isso signifique perder o outro?

E tenho a sensação de que Dean ficará na defensiva agora. A marca está lá, viva só que adormecida. Tenho a sensação de que os autores farão com que quase nos esqueçamos que ela está lá e quando ela voltar a tona, será com força total. Não digo que Dean volte a ser um demônio, mas provavelmente ele não consiga segurar a vontade de matar, assim como aconteceu na 9ª temporada. Neste episódio deu quase para ouvir os pensamentos dos irmãos. E senti que receio é o que eles sentem. Dean mais do que Sam, por que a vergonha de seus atos, como ele mesmo disse, o acometem, já Sam está mais com a politica do viver um dia de cada vez e aproveitar o máximo o que podem ser bons momentos.

E eu disse lá no começo que depois da tempestade vinha a bonança… Nuances, queridos hunters, nuances.

Carry on!